sábado, 3 de julho de 2010

Lições da derrota


A foto ao lado é um raio-x do sentimento de todos os brasileiros com a derrota do Brasil na Copa da África: um choro só. Mas, recompostos da tristeza, sem deixar o patriotismo de lado, analisemos com um pouco mais de frieza e racionalidade as lições deste Mundial.

- Por que a nossa identidade como povo está tão atrelada ao futebol? Tudo bem, somos um país recente (500 anos não são nada) e ainda estamos engatinhando na construção da nossa imagem, mas será que já não chegou a hora de crescermos e nos tornarmos referências em outros assuntos, além do esporte e do carnaval? Nações de respeito têm que mostrar força da economia, da boa diplomacia, preocupação com o meio ambiente e, principalmente, atenção às necessidades físicas, emocionais e espirituais de seu povo. O Brasil, em ano de eleições, deveria se preocupar mais com essas questões.

- Será que temos sempre que ganhar no futebol? Agora vem a parte do nosso ego latino-americano, passional, irracional e, um tanto, inflado na sua virilidade masculina (afinal, futebol feminino não tem tanta empolgação). Ok, perdemos, podemos melhorar e ganhar na próxima, não é o fim do mundo. Nossos colegas "hermanos" argentinos sofrem do mesmo trauma, sentem-se um lixo quando perdem. Quê isso!!! Vamos ensinar a Maradona. E a nossa arte, a nossa receptvidade perante o mundo, a nossa diplomacia, a nossa capacidade de lutar em qualquer lugar do mundo? Somos reconhecidos, entre os gringos, como o povo alto astral, com economia entre os países que mais crescem no mundo e temos respeito por isso. Será que não está na hora de a Pátria de chuteiras dar lugar à Pátria de mentes e corações que brilham?

- Todos estão tentando achar os culpados pela derrota, mas uma perda não faz mal a ninguém! Vale lembrar que daqui a quatro anos, a Copa é no Brasil e será bem mais emocionante ganharmos em casa. Aí sim, será uma festa histórica e merecida. Então, levanta a cabeça, Brasil, chega de choro e mãos e pernas à obra!!!

E como eu também sou fã da seleção brasileira, começo uma campanha pela volta do Futebol Arte e faço abaixo uma lista dos erros e acerots para o próxima Mundial.

1. Mal Humor não entra: o técnico da seleção tem que ser rígido, mas deve ter jogo de cintura e educação para falar à população, faz parte do pacote;
2. Fora ao jogo sujo: fica cada vez pior assistir aos jogos ultimamente, porque os caras, só porque são fortes, acham que podem bater, agredir, socar, cabecear e pisotear em campo. Chutar: só a bola, ok?;
3. Craque: essa palavra deve ser levada a sério quando se trata de futebol. Ela não é sinônimo de droga, quando falamos de convocação de representantes da nossa Seleção Canarinho.
4.  Xingamento 0: o técnico da seleção deve deixar as richas particulares, apenas para as divididas com a bola e os adversários em campo. Jornalistas podem até ser arrogantes, mas são representantes da nossa sociedade e estão ralando para dar o melhor, portanto, merecem respeito;
5. Holanda:  foi o time que nos eliminou, estamos irados, mas vamos combinar que o país deu um show de Fair Play na Copa, exibindo na camisa de cada jogador, a bandeira do adversário ao lado do símbolo holandês. Simplesmente, muito chique. No fim do jogo, o consolo do jogador "rival" ao Robinho (na foto acima) é uma demonstração de carinho e emoção, o que confirma a miha teoria: futebol não é guerra, é apenas diversão.


VAMOS PREPARAR A TORCIDA COM APITOS, TAMBORES E CORNETAS

BRASIL: 2014

domingo, 9 de maio de 2010

A maternidade atual




O que é ser mãe em tempos modernos? Alguém se arrisca em definir? A mulher atual trabalha,  faz compras, malha, cozinha e ainda vai ao sex shop para agradar o marido... Ufa, ela não ocupa mais o cargo de deusa, mas de heroína! Sim, é certo que os papais modernos também dão uma força e isso faz com que a maternidade fique mais suportável e prazeroza. A parceria do casal é essencial nos dias de hoje, mas tem um monte de mulher que insiste em fazer carreira solo, ter filho sem namorado, marido, companheiro, ou seja um macho do lado! Gente, já pensou isso? Cuidar de um bebê sozinha, ter que amamentar e ainda cuidar da casa, das tarefas domésticas, tudo isso  junto com a dança hormonal do corpo carente? Algumas diriam que estou sendo machista ou antiga. Prefiro achar que sou realista.

O relógio biológico ou sociológico grita no nosso ouvido primeiro aos 28, 30... A mulherada sai correndo atrás de um marido, casa com o primeiro que aparece, como um taxi livre em dia de tempestade. E aí vem a primeira decepção. Depois, mais madura, aos 35 o relógio começa a berrar. E de novo, mulheres que não querem ficar pra tia ficam obsecadas com a ideia de ser mãe. Tudo bem, vamos dar um desconto, a maternidade é mesmo uma das experiências mais lindas que uma pessoa pode experimentar (falo isso apenas constatando o grau de felicidade de otras mães), mas e tudo o que a gente luta e rala no dia-a-dia, também não seria uma gestação? E a fertilização de projetos, a gravidez de ideias, a maternidade de si mesma? Dar vida a outros sonhos também não seria uma experiência maravilhosa?

Há uma controvérsia na vida da mulher do século atual: ser uma grande profissional versus ter uma grande família. Isso mexe demais com a psique feminina porque a natureza não muda mesmo com a mudança do comportamento da sociedade e a mulher nasceu tendo tudo para ser mãe. Algumas optam por não ser, mas as que desejam essa experiência ficam confusas, devem perseguir essa ideia ou deixar a vida acontecer e esperar até encotrar a pessoa certa, o momento mais apropriado ou a conta bancária dos sonhos...

Assisti recentemente a um programa de TV onde mulheres contavam como viveram a aventura da maternindade depois dos quarenta e todas elas foram firmes ao dizer que são melhores mães com essa idade do que seriam com vinte e poucos. Elas realizaram muitas coisas, experimentaram a vida com tamanha intensidade que naquele momento se sentiam plenas de paciência e vontade para se dedicar exclusivamente a um novo ser. Algumas adotaram, outras tiveram que fazer tratamento de fertilidade, mas estavam muito felizes e realizadas. Essa conversa me deixou animada!! Agora, quanto à produção independente, o buraco é mais embaixo. Isso tem suas consequências, criar um filho sem referência paterna é um risco. O mais importante é pensar que essa aventura não é um filme que dura duas horas, é para sempre e portanto, exige mais razão do que emoção.

Afinal, tem criança de montão nesse mundo, mesmo as que possuem uma mãe biológica, mas que carece de afeto, atenção, educação e amor incondicional. Se você é mulher, então pode doar o seu amor para qualquer ser humano, sem precisar sair do seu umbigo!!! Ser mulher é poder ser mãe a qualquer momento, em qualquer ocasião, esse exercício é um excelente treino para quando a real maternidade vier ao nosso encontro. 


domingo, 11 de abril de 2010

SOLIDARIEDADE: O FUTURO DO PLANETA

As chuvas da última semana, que deixaram o Rio de Janeiro sob estado de choque e indignação, nos chamam à reflexão. Deusas e deuses contemporâneos também vivem calamidades em meio ao dia-a-dia agitado e têm que conviver com elas, queiram ou não queiram, é inevitável, e não adianta culpar a fúria da Natureza. Não, a Natureza não é responsável pelo alagamento de ruas, avenidas e casas, nem pode ser condescendente com o total descaso e arrogância do Homem, que constrói casas onde não deve e entope a terra com lixo e poluição. Bem, o objetivo aqui não é achar culpados, pois isso, a mídia já está fazendo. Aliás, para a "Senhora da Verdade" é tudo muito fácil, em nome do espetáculo, põe logo a culpa nas autoridades e no povo irresponsável que não vota direito... E quanto ao seu papel de formadora de opinião?  Fica isenta de responsabilidade? Mudemos o rumo desta prosa-tragédia.

Que lição podemos tirar desta lamentável situação em que se encontram  a cidade maravilhosa e adjacentes, debaixo d'água? A solidariedade e a gentileza, que podem ser encontradas sob os escombros dos desesperados da chuva ou dos abalos da terra. O velho ditado "a união faz a força" renasce mostrando que nunca morreu, na verdade, as pessoas é que se esquecem de que não podem viver sozinhas. Porque na hora da calamidade, da perda, do desamparo, há sempre uma legião de voluntários anônimos, vestidos de esperança e cordialidade, compartilhando o que têm e às vezes o que não têm para amenizar o sofrimento do outro. Em tempos de competitividade e capitalismo selvagem é confortante ver a mão estendida ou a casa aberta, a oferta de donativos, o trabalho incansável de pessoas comuns, que não ganham materialmente nada em troca, apenas a certeza de que fizeram tudo por alguém que perdeu quase tudo. Então, confirma-se a profrecia popular: "gentileza gera gentileza", a sabedoria milenar japonesa: "gratidão gera gratidão" e o mundo respira confiante, pois a Terra continua evoluindo.

 O trabalho de voluntários não apenas nas calamidades é outro fato a ser analisado. Milhares de brasileiros doam parte do seu tempo ou dinheiro por causas humanitárias e sociais, ou para trazer de volta a dignidade, a beleza, a arte, a contemplação, o Belo. E nós somos um dos povos que mais ajudam uns aos outros. Há alguns meses, uma pesquisa feita pelos britânicos me chamou atenção. Eles chegaram à conclusão de que o ser humano não consegue ser feliz apenas vivendo para si mesmo. Foi constatado por números que o grau de felicidade aumenta quando um indivíduo sabe que outras pessoas também estão prosperando. Então, é a ciência provando que o individualismo não está com nada.

Conheço muitas pessoas que fazem trabalho voluntário, às vezes até desembolsando grana por uma causa, porque acreditam que essa ação pode fazer a diferença. Esses seres conscientes se doam para melhorar a vida de outros e eu observo que eles são muito felizes, sentem-se mais satisfeitos com o que têm e entrando em contato com as dores alheias, têm menos a reclamar. Cada vez mais me convenço de que o futuro da Humanidade depende da nossa capacidade de olhar o todo, de sairmos do nosso próprio umbigo e enxergar o outro como a nós mesmos. Assim como ensinaram os grandes mestres: Jesus Cristo, Maomé, Buda, Mokiti Okada. Experimente. Seja o mestre da sua própria existência!

sexta-feira, 26 de março de 2010

CONTEMPLAÇÕES DE UM DIA DE DELÍCIA


Toda Afrodite moderna tem sede de agito, ânsia por movimento, trabalho, correria, rotina. Eu mesma sempre achei que o certo é ocupar o máximo o tempo com coisas úteis: escrever, malhar, trabalhar, fazer um curso de Deus sabe o quê, e não parar... Acho que essa sociedade de consumo nos obriga a fazer mil coisas ao mesmo tempo porque se pararmos, vamos refletir, deixar para depois o que pode ser comprado hoje. E isso não interessa ao bolso de nenhum capitalista.

Mas ideologias à parte, resolvi deixar a  culpa de lado e tirar um dia de folga no meio da semana. Isso mesmo, folga de tudo. Afazeres domésticos, preocupações, planos para o futuro, cursos, internet e até a academia. Não queria provar uma teoria, mas acabei comprovando que o ócio é mesmo uma bela inspiração para criarmos. Se não, vejamos....

Comecei o dia fazendo compras de supermercado. Isso não teria a menor graça no meu "Dia de Delícia" - roubando o jargão da Leila, uma amiga minha - se as compras tivessem sido feitas com pressa e de lista em punho. Nada disso. Hoje foi tudo lento, dentro da boa e velha "baianidade", planejando calmamente e meticulosamente as calorias para o meu fim de semana. Tudo muito bom.

De lá, segui para a vagabundagem, ou melhor, rumo ao descompromisso, ou melhor ainda, gozando da liberdade que todos deveríamos ter! Fui ao Centro comprar a lâmpada do Aladin. Deixa explicar, essas lâmpadazinhas quase minúsculas que se coloca nos iluminadores para câmeras, dando vazão ao meu atual hobby - aprender a filmar tudo e todos com um olhar meu. Mas isso é conversa para outra postagem. Voltamos ao ócio contemplativo. No caminho do achado, outro "achadinho" - parafraseando o blog da minha amiga Raphaella Avena - encontrei uma bolsa de viagem, badulaques e apetrechos para carregar a parafernália eletrônica da minha nova paixão.

Depois, resolvi ver o que estava rolando no Odeon. Sabe, era fim de tarde, o metrô estaria lotado, então... Lá vou eu me justificar! Achei que estaria passando o filme argentino "O Segredo dos seus olhos" - aquele que ganhou Oscar de melhor estrangeiro - mas não, era um brasileiro, meio argentino: "Histórias de Amor duram apenas 90 minutos". Isso porque o Odeon é igual loja popular em liquidação, se o filme que você quer ver estiver passando lá, corre, se não acontece o que aconteceu comigo... Mas tudo bem, gosto do Paulo Halm - que foi roteirista dos filmes da Sandra Werneck: "Pequeno Dicionário Amoroso" e "Amores possíveis" - então, comprei o ingresso. Mas havia duas horas de bobeira antes da próxima sessão.

Bem, ali ao lado tinha uma feirinha de roupas e acessórios. E como diz a minha amiga Julieta, não prestou! Sabe o que eu gosto nessas feirinhas? É que elas te dão a chance de conversar, bater papo com os vendedores, que normalmente fazem os próprio modelitos e vendem com aquele prazer de quem criou a peça. Dá gosto! Além, é claro, do bolso que agradece. Isso em dias possíveis de temperaturas amenas de outono, óbvio!!! Comprei três saias bem na tendência (tomara que seja!) por apenas 50 reais. Na barraca ao lado, tinha bijou. Fiz a festa! Claro que essa experiência só pode ser feita com tempo de sobra porque a pessoa tem que experimentar TUDO, se não, cai na bobagem de comprar uma aberração fashion que nunca vai sair do armário. Saí de lá me amando... 

O ócio estava indo de vento em popa e ainda faltavam 40 minutos. Então, entrei no Odeon e saí vagando pelos corredores. Cheguei ao segundo andar e achei a mais nova locadora fo grupo Estação funcionando lá dentro. Fucei todas as prateleiras e descobri uma coleção de Bergman que faria meu amigo Thiago delirar! Fiquei imaginando qual dos filmes ele me aconselharia... "Sétimo Selo"? "Morangos Silvestres"? Ahh descobri também que os recentes "Julie e Júlia" e "Coco antes de Chanel" já saíram em DVD, vai aí a dica.

Entrei no café ao lado e o garçom demorava horrores para me atender. Mas fiquei quietinha, feliz, contemplando aquele momento. Do cardápio pedi croissant de queijo Brie com Damasco e me lembrei de Adriana, outra amiga e de sua companhia sempre radiante. Com essa sensação boa, surgiu uma poesia... Peguei um guardanapo e escrevi, chama-se Quietude e está bem aqui ao lado para dar o tom desse dia tão rico de nada e tudo ao mesmo tempo.

Finalmente entrei para o cinema. O filme, para a minha surpresa, é MUITO BOM. Comecei desconfiada, achando que Halm estava entregando o ouro de roteirista para o público na sua primeira experiência como diretor. Mas desencanei e curti a história, os enquadramentos maravilhosos, as situações ridículas que rodeam todos aqueles que amam, já amaram ou um dia amarão. Ahhhh, nesse filme as mulheres vão à forra com os machões, o personagem de Caio Blat sente no couro (para não dizer naquele lugar), o que nós fazemos às vezes para agradar um homem. Nem adianta que não vou contar, tem que ver o filme.

Bem, o meu dia de bobeira termina com saldo positivo: esta postagem, mais a poesia e as lembranças de um bom filme e uma boa companhia. Experimentem!!!

Beijos

domingo, 14 de março de 2010

MUDANÇAS, TRANSFORMAÇÕES... A RODA DA FORTUNA

Roda mundo, roda gigante,
roda moinho, roda pião.
O tempo rodou num instante,
nas voltas do meu coração...
(Chico Buarque)

As mudanças são uma regra universal e deveriam fazer parte do nosso cotidiano, naturalmente... Mas nós seres humanos, muitas vezes limitados, temos medo, pavor, verdadeiro pânico do desconhecido. Mas ele é inevitável e ao mesmo tempo, incoscientemente, desejado. Já pensaram se a gente vivesse 90 anos no corpo de um bebê? Ou morasse na mesma casa a vida toda, com os mesmos móveis, os mesmos vizinhos, as mesmas conversas? Poderia até ser bom, mas não seria nada emocionante! As pequenas mudanças são até bem-vindas, mas as grandes... Pelo amor de Deus, a gente evita até de pensar! Quando os filhos se casarem... Quando não tivermos os pais por perto... Quando formos demitidos... Cruz credo, bate da mesa!!! É assim que muitas vezes pensamos, mas na real, são as mudanças que fazem girar a Roda da Fortuna. Ou será que alguém já nasceu chefe de uma empresa, ou Top Model, ou grande artista? Impossível. Até os filhos de peixe começam a vida num riacho pra depois encarar o marzão, cheio de aventuras. E são essas aventuras que move ma vida, que nos faz querer algo melhor, nos tornar alguém mais interessante. Então, as mudanças são imprescindíveis, ora bolas!


Por mais medo que possamos ter, andar é melhor do que ficar parado, estagnado, empacado, olhando a vida passar. Podemos falhar, com certeza, mas isso também faz parte da aventura, e porque não trilhar o caminho do verdadeiro sucesso? Da tão sonhada realização profissional? Na vida amorosa, a mesma coisa. Vejo mulheres e homens acostumados com uma relação pouco satisfatória ou com uma condição de solidão não desejada porque têm medo de encarar a nova situação. E se na esquina estiver o homem certo para você? Ou então, se naquele curso que tanto deseja fazer te espera um futuro brilhante em outra direção?

Vejo mulheres maduras com medo de inovar e Afrodites jovens, mais ousadas e corajosas, não sei se tem a ver com idade, mas com maturidade. Os homens também andam se acomodando fácil demais, têm a desculpa perfeita para ficar num casamento ou emprego que não mais os satisfazem porque têm que "sustentar os filhos". E qual a mensagem que estão dando para as crianças? !Sejam medrosos como o papai". Claro que prudência é necessário, mas arriscar é mais ainda. É uma realidade realmente triste de se constatar. Ontem vi um filme que, pra falar a verdade, a princípio me atraía apenas pela presença gloriosa de George Clooney, mas acabei aproveitando mais do que o charmoso ator. O filme "Amor sem escalas" é sobre um homem individualista (e não solitário) que tem por profissão demitir - juridicamente a palavra é dispensar (soa até mais bonitinho) - profissionais de várias companhias, friamente e fornecer a eles suas "opções" a partir daquela decisão. A maioria das pessoas encara tudo pessimamente, é um festival de lágrimas e palavrões, todos se sentem rejeitados e humilhados. Até que Mr. Clooney, com aqueles olhinhos pequenos de suspirar (ai, ai...), perdão, onde estava? Bem, ele tenta amenizar as coisas para um pai de família, com dois filhos pequenos para sustentar, dizendo que essa é sua oportunidade de ouro, porque finalmente ele vai poder seguir o sonho de abrir um restaurante e ser um chef. Na hora, a gente pensa, não é que isso é legal?

Claro que a mensagem pode ser também: que ironia, o próprio sistema capitalista é quem resolve o que devemos ser e fazer... E isso também é uma verdade, mas prefiro pensar que entre o mais cômodo e o caminho da realização pessoal, fico com a segunda opção. O que é garantido na vida? Nada. Até o que parece ser igual a vida toda, não é, ilusão, está tudo mudando e girando o tempo todo, é Lei Universal.

Na psicologia Junguiana, a mandala (os círculos presentes nesta postagem) simboliza a nossa totalidade psíquica. C. G. Jung observou que essas imagens são utilizadas para consolidar o mundo interior e favorecer a meditação em profundidade. Então, caros leitores, eu presenteio vocês não só com a minha transformação ao longo de cinco anos: de jornalista a escritora, mas também com essas figuras mágicas, para que vocês encontrem na sua essência, a energia transformadora para mudar tudo o que não está bom dentro da sua realidade.

E como tudo muda mesmo, estamos de cara nova para um novo ciclo que começa depois do aniversário. Compatilharei com vocês todas essas novas aventuras, prometo.


Beijos!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

DIVAS DA MÚSICA OU DA PLÁSTICA?

A passagem da super linda Byoncé pelo Rio me chamou atenção e me fez pensar sobre as novas Divas da música pop. Eu que acompanho a carreira de algumas delas, me sinto capaz de ter uma visão crítica, sem querer tirar o brilho e o esforço das moças, fazendo apenas uma reflexão sobre o mercado da música e a manipulação da imagem da mulher moderna.


A toda-poderosa de não sei quantos Grammys, filmes e muita grana no bolso começou sua carreira como integrante de uma banda de meninas, a "Destiny's Child", se lembram? E Byoncé já se destacava não só pela voz macia e rouca, super afinada mas também, pelo trasei... digamos rebolado. Shakira, outra cantora-sensação também começou tímida, na Colômbia, de cabelões pretos e pele muto branca, e uma voz de arrebatar. Mas depois... Bem, a voz continua a mesma, mas os cabelos pretos e a menina ingênua, isso é passado. Onde quero chegar? Já repararam no que as musas da música têm que se sujeitar para chegar ao topo da mídia e do "sucesso"?


O figurino é sempre provocante, beirando ao vulgar (reparem no look de Byoncé nos shows e clipes). E a dança mais ainda, uma mistura de funk poposuda, com boquinha da garrafa, somada a caras e bocas de quem está tendo orgasmos constantes. A ideia clara é seduzir, vender música hipnotizando olhares de homens sonhadores e mulheres iludidas, que tentam se espelhar. Isso não é um discurso moralista, mas um olhar sobre algo que se tornou comum hoje em dia, a sexualização da mulher. Hoje só se alcança os ouvidos das massas se a cantora for gostosa.


Por exemplo, a cantora Sade - que eu amo, e tem uma voz inigualável, mas é discreta e sensual à sua maneira - não arrasta milhares ao Maracanã como Madonna, campeã em tirar a roupa. Entendem? Colocando no nivel das mortais, essa imagem da mulher "bem-sucedida" - uma aliança do poder sexual, com o econômico e social - está deixando as meninas cada vez mais masculinas. Não ao se vestir, mas ao falar, andar, se comportar e até na maneira de transar. Estão quase todas - principalmente as mais jovens - falando como homens: que "pegam" tantos, que fazem e acontecem na cama, deixando até os marmanjos constrangidos. Também bebem como homens e saem pregando que preferem os bad boys. No final, ao contrário das Divas que alcançaram um nível de riqueza material fazendo cena de "pegadoras", as meninas super-poderosas do cotidiano, ficam sozinhas.

Sei que são coisas da indústria, do mercado competitivo, mas também tem a ver com a personalidade e o caminho que cada pessoa escolhe. Eu acho difícil ver Marisa Monte se sexualizar para vender discos. Já outras seguem esse caminho e perdem a identidade, se deixando levar pela cabeça dos empresários, como Mariah Carey, Britney Spears e tantas outras.

Então, nós mulheres que assim como as musas pop, também queremos ser bem-sucedidas em nossas carreiras, na vida amorosa e na sociedade, vamos ter que mostrar o corpo ou a nossa verdadeira personalidade? Penso que se todas decidirem pela imagem das estrelas, vamos ter um futuro confuso, de pessoas perdidas e infelizes em busca de riqueza. Mas se optarmos pela liberdade de mostrar nossa feminilidade de forma mais natural e singular, acho que nós poderemos liderar o mundo.


Cuidem-se! Beijos.






sábado, 30 de janeiro de 2010

MÁSCARAS E FANTASIAS: VIVA O CARNAVAL DE TODO O DIA!


Gente, carnaval é a festa preferida dos brasileiros e eu, particularmente, adoro esse clima que deixa o Rio ainda mais irreverente, caloroso e alegre. Tem muita gente que gosta da "pegação" do carnaval - afinal, é a festa da carne - eu, que já passei dessa fase, acho que é a festa dos amigos, da galera, da turma... Já pensou ir a um bloco de rua sozinho? Ou ao desfile no sambódromo sem uma companhia agradável para cantar, sambar e tirar muitas fotos? Não, não teria a menor graça. No carnaval, eu aproveito para reforçar os laços com pessoas vibrantes, animadas (sem necessidade de excessos), que me acompanhem com o maior pique e topem todas as paradas. É, porque carnaval não é brincadeira de criança, não. Tem um sol de rachar, gente se acotovelando, empurra-empurra, os chatos pegajosos que querem te agarrar e os malas, que insistem para que você "tome mais uma". Tem que estar disposto a curtir e a sair fora também quando chega a hora H. E quando tem briga? Tem que estar junto pra sair de fininho ou correr mesmo o mais rápido possível. Eu posso dizer que um bom carnaval é sinônimo de boa companhia.


Outro ponto forte do carnaval é a fantasia... Não é uma delícia sair fantasiado de outra pessoa, totalmente diferente? Ou nem tão diferente assim, mas por para fora aquele outro alguém que insiste em sair, mas a gente abafa o resto do ano. Então, quando é carnaval todos os bichos se soltam! Alguns são bravos, outros delicados - cada um com a sua catarse momentânea. Tem os personagens de conto de fadas, das histórias em quadrinhos, do imaginário popular - a melindrosa, o pirata, o presidiário, o palhaço, a múmia. Tem os animais - oncinha, gatinha, coelhinha, borboletinha. Eu adoro as do universo infantil, a Branca de Neve, por exemplo - trauma por não ter tido uma festa temática quando criança, paciência. Mas no carnaval, essa fantasia vem acompanhada, de preferência, por um príncipe bem alegre, companheiro, leal, que curte junto, se diverte e vai pra casa junto. Essas fantasias nossas de cada dia podiam ser reforçadas ao longo do ano, não acham? Por que será que só no carnaval a gente acredita nessas coisas? Isso não podia ser constante?


As máscaras de carnaval começaram essa tradição de deixar de ser quem nós somos, pelo menos uma vez no ano. Foi no carnaval de Veneza, que segundo a história, elas foram criadas para que os nobres pudesse se infiltrar junto aos plebeus e ganhar umas mocinhas sem que suas esposas descobrissem. Isso foi lá na Idade Média. Hoje, as máscaras são objetos belíssimos que enfeitam o rosto e continuam povoando a nossa imaginação. É, porque quando vestimos um desses acessórios carnavalescos purpurinados e glamourizados, abrem-se, imediatamente, as portas para um universo de ilusões. Assumimos uma nova personalidade, adotamos um comportamente ou mais ousado, ou mais feminino, ou mais masculino, ou mais romântico, ou mais sensual. Liberamos as amarras do constrangimento e saímos mostrando ao mundo um lado mais criativo - o positivo da história - ou mais agressivo - o negativo de cada um. Bem, podemos escolher qual máscara usar, isso vai da necessidade ou da empolgação do momento.

Agora, e com relação às máscaras do dia-a-dia? Já parou para refletir sobre quantas delas a gente adota para lidar com as situações do cotidiano? A de boazinha para os chefes. A de antenada para entrar nos círculos sociais. A de animada para aquela turma do "oba oba, vamos beber que está tudo bem". A do entendedor de cinema, para os cinéfilos. E por aí, vai... Claro que tem gente que adota o tipo "eu sou eu mesmo e só faço o que quero ", acho isso muito saudável, desde que essa pessoa seja generosa e mostre ao mundo porque consegue ser diferente, com gentileza e sensibilidade. Não estou defendendo e nem condenando as máscaras. Elas são necessárias para a nossa evolução enquanto socidade. O importante é saber quando deixá-las de lado, quando assumir a nossa própria essência, ao invés de ficar fazendo tipo para agradar o outro. Acho que tem que diminuir o seu uso e retirar a máscara quando todos querem que você fique e você quer ir embora. Ou simplesmente dizer "não, muito obrigada", quando o seu grupo social te oferece um mundo de falsa felicidade.


Então, nesse carnaval, eu vou brincar de sonhar com um mundo melhor... Vou me fantasiar de alegria, de sinceridade, de beleza e de sabedoria. Vou beber com moderação e fazer amigos que me respeitem e gostem da minha companhia do jeito que sou. Quem quiser seguir o meu bloco, será um prazer!!!

Nesse post, eu coloquei fotos de pessoas queridas, e a minha própria, para ilustrar a alegria e a felicidade gerada por uma festa de carnaval com máscaras, fantasias, mas sem excessos.

Divirtam-se e juízo! Beijos.