sábado, 28 de novembro de 2009
RETRO 2009 - SHOWS
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
ENTRE A CRUZ E A ERVA

- Quem disse que mulher também não sobe pelas paredes?
- Acho que os gregos erraram quando colocaram amor e sexo numa única deusa.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
A doce Primavera e as flores que não desabrocharam

Romântica que sou desde embriãozinho na barriga de mamy sempre considerei receber flores a mais maravilhosa expressão do amor de um homem. Via nos filmes, livros e folhetins, um buquê de rosas significava que a mocinha estava bem na fita e o cara estava de quatro por ela. Ok, peguei essa informação e guardei na minha pasta da memória especialmente criada para assuntos de romance. Junto com os arranjos de flores estavam os cartões, cartas, presentinhos fofos, ursinhos de pelúcia e almofadinhas de coração. Mas confesso que de toda essa lista, as flores estavam no topo da preferência. Cresci e fui arranjando as minhas confusões amorosas. Quando tinha uns 20 e poucos comecei a namorar um cara muito lindinho, com cara de intelectual, mas todo mundo achava que fosse gay. Uma grande amiga, que era amiga dele e que me apresentou o cara, me alertava: "ele só anda com mulher e nunca teve uma namorada... E o pior, tem um melhor amigo inseparável." Guardei a informação, mas resolvi apurar pessoalmente. Olha, tinha toda a chance, porque perto dele eu me sentia como se estivesse com uma grande amiga de infância, sabe... Falávamos de tudo, me sentia super à vontade, mas na hora do beijo... A coisa não rolava legal. Mas o cara se apaixonou por mim, olha o disperdício, fazer o quê? E eu fui levando, só pelo romantismo mesmo. E não é que no dia dos namorados, a surpresa. Recebi o primeiro buquê de rosas vermelhas da minha vida. Era lindo, mas não me causava aquela emoção da novela. Resultado, acabei terminando o namoro e parti o coração do menino. Ele chorava copiosamente e eu nem tinha como explicar o porquê.
Outra situação para lá de embaraçosa foi quando resolvi pesquisar namorado na internet. A vida estava tão sem graça, nenhum cara bacana na vida real, fui me enveredar pela virtual. E conheci um cara de meia idade, que não era bonito, mas muito gentil e simpático e naquele sábado à noite sem ter o que fazer, resolvi marcar um cineminha. Chegando lá, de longe, avistei o pretendente. Nossa, que decepção! O cara não tinha nada a ver comigo, podia ser um amigo do meu pai e eu não tive a menor vontade de me aproximar. Cheguei em casa e deixei um recado no celular dele dizendo que não pude ir ao encontro porque tinha passado mal (ô mentirinha esfarrapada). O homem ficou me ligando durante um tempo e eu dava todo o tipo de desculpa possível. Até que pedi para ele não me ligar mais porque ainda gostava do meu ex. Ele não se convenceu, achou que ia me conquistar de qualquer maneira e durante a semana seguinte, que era o meu aniversário, ele mandou cinco buquês de rosas, um para cada dia da semana, para o meu trabalho. Que loucura! Aquelas flores maravilhosas, tanto empenho e no meu rosto só arrependimento... Pensei: nunca mais entro na internet e nunca mais conto uma mentirinha social.
Mais recentemente descobri que fazer arranjos florais é um barato! Deixa a vida mais harmonizada, eu troco energia com elas e me sinto mais feliz. A casa fica linda e todo mundo gosta de receber uma florzinha, ainda mais quando ela está exuberante num vaso... As flores viraram minhas amigas e sempre que posso dou flores para amigos, parentes e colegas de trabalho. E uma experiência que nunca vou esquecer é quando quis conquistar um cara lindo e resolvi dar flores para ele no dia do seu aniversário. O arranjo causou um impacto... Infelizmente, não rolou nada no sentido amoroso. Mas ficamos amigos, seu rosto se ilumina quando me vê e a família dele me adora.
É, acho que é essa mesma a missão das flores, alegrar a vida, causar bons momentos, nem que sejam apenas para uma recordação. Agora, meus caros leitores, em certos momentos não tem nada igual mesmo... Para mim, as flores mais inesquecíveis que recebi foram do meu ex-marido no dia do nosso casamento. Ele me presenteou pessoalmente enquanto eu, estressada, começava a me arrumar e me lembro com muito carinho de como aquele gesto me fez feliz.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Afrodite em ação: o glamour e as galinhas


Eu não nasci pra ser dondoca, não... Infelizmente. Gosto mesmo é de uma boa aventura!
Nessa profissão tem de tudo. Só não tem rotina. Tem buraco de rua. Atropelamento. Tiroteio. Cachorro que só falta falar... No mercado de trabalho foram muitas emoções ao pegar o microfone! Me lembro de quando entrei num presídio - Bangu 6, se não me engano - em rebelião. Aquele bando de homem mascarado em cima do teto com pequenos instrumentos de trabalho: paus, estoques, cacos de vidro e eu ali - um misto de pânico de virar personagem de filme nacional e uma vontade louca de olhar no olho do bandido, só para tentar entender a psicologia, o porquê de tanta agressividade. Mas o medo dominou a situação e só consegui ouvir que eles queriam mais dignidade paras as visitas íntimas. Ok, achei justo. Pelo sim, pelo não, na hora de gravar a passagem (aquela parte da matéria em que o repórter aparece no vídeo) eu engatei uma quinta e falei tão depressa, mas tão depressa que por milagre acabei não errando nada.
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Qual será a nossa herança?

Minha Herança: Uma flor
Vanessa da Mata
Achei você no meu jardim, entristecido
coração partido,
bichinho arredio.
Peguei você pra mim
como a um bandido,
cheio de vícios
e fiz assim, fiz assim.
Reguei com tanta paciência.
Podei as dores, as mágoas, doenças
que nem as folhas secas vão embora
eu trabalhei.
Fiz tudo, todo o meu destino
eu dividi, ensinei de pouquinho
gostar de si, ter esperança e persistência, sempre.
A minha herança pra você, é uma flor
um sino, uma canção, um sonho
nenhuma arma, ou uma pedra eu deixarei.
A minha herança pra você
é o amor capaz de fazê-lo tranquilo, pleno
reconhecendo no mundo, o que há em si.
E hoje nos lembramos, sem nenhuma tristeza
dos foras que a vida nos deu,
ela com certeza estava juntando você e eu.
Achei você no meu jardim...
A letra da música de Vanessa da Mata me fez pensar nas minhas personagens, Afrodites querendo amor e consequentemente em nós mulheres...
Nossa grande artista matogrossense, cheia de inteligência e sensibilidade, além de nos emocionar e orgulhar, nos dá o paninho para a manga de uma reflexão bem pertinente para as questões amorosas femininas. Eu que não sou boba nem nada, trago para este espaço e divido com vocês, meus leitores. Mas desta vez, quem vai pensar são as florzinhas femininas.
Então, está lançada a pergunta: que herança estamos deixando nos nossos relacionamentos afetivos: flores ou armas? Todas nós sabemos na ponta da língua o que queremos dos homens: carinho, compreensão, prazer, compromisso. Mas e o que estamos dando para sermos merecedoras de toda essa felicidade? Essa pergunta é chatinha, né? Desculpem, não queria ser estraga prazeres, mas acho bom fazermos essa reflexão o quanto antes, antes de perdermos mais um namorado, marido ou futuro-pretenso amor...
Nunca vamos receber isso tudo se não nos doarmos para alguém. Não estou dizendo que temos que voltar nos tempos de Amélia - aquela que era mulher de verdade para Mário Lago. Não!!! Mulher de verdade não tem que passar as camisas do marido ou cozinhar, lavar, arrumar, cuidar da casa e dos filhos. Isso é coisa do passado. Mas tem que cuidar do amor, regar como uma plantinha. Como? Como na música de Vanessa, com paciência, esperança, persistência. Temos que entender que o nosso poder vem da doçura, da beleza, do carinho, da escuta, da compreensão, mesmo que seja duro de engolir. É que eles também têm suas mágoas, tristezas, desilusões, cicatrizes, muitas vezes deixadas por outra ou outras mulheres. E se não tivermos sensibilidade para cuidar dessas feridas, quem vai ter?
Você mulher, por acaso, que defende a liberdade, a igualdade de direitos, já se imaginou dando flores para o seu namorado? Já arrancou lágrimas dele de emoção? Já o surpreendeu com um jantarzinho no meio da semana, sem uma ocasião especial? Então, está lançado o desafio. Vamos parar de cobrar amor e dar mais amor? Depois me contem o resultado.
Ah, quem quiser escutar a música de Vanessa tem uma amostra grátis aqui ao lado, mas o CD SIM é inteiro lindo e uma dica para quem gosta de boa música. Beijos no coração.
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
A chegada de um pacotinho ou A tia babona

domingo, 19 de julho de 2009
Ninfas e Lobas

- O Bruno até que é bonitinho, mas sei lá é meio sem graça, aguado, tem aqueles olhos azuis...é desengonçado e muito grudento....
- Ai ai....
As outras meninas suspiravam. Bruno era o menino mais bonito da escola, jogador de basquete, corpo escultural para um jovem de quinze anos, mas Marina esnobava, até que ele se jogasse a seus pés. Aí, ela dava bola para ele, só para depois, seduzir, sentir o gosto e jogar o menino na rua da amargura. A jovem ninfa, aprendiz de afrodite, nem se dava conta de seu poder de sedução, mas gostava de brincar de arrasar o coração e o ego dos meninos. E cresceu assim, entre desprezos e descobertas. Intimamente, ela não se achava tudo isso que os rapazes viam. O corpo era magro demais, os braços muito finos, as pernas enormes, o cabelo muito liso e o nariz grande demais. Mas todos ao redor discordavam, tanto homens quanto mulheres consideravam a menina uma linda espécie do sexo feminino em desenvolvimento. Ela tirava proveito da situação, mesmo que tivesse uma opinião diferente quando se via no reflexo do espelho. E debochava dos rapazes lindos e admirados, ou para se vingar de possíveis inimigas ou de possíveis inimigos.
...
Aos dezoito anos, Marina decidiu se entregar ao prazer, mas continuava imune à paixão e preferia mil vezes a companhia das amigas para as baladas do que a de um namorado fixo. E à medida em que Marina crescia, os homens faziam fila para terminar uma festa ao lado dela e exibir a beldade para todos.
Maria, mãe de Rafaela, melhor amiga de Marina, adotou a menina em São Paulo, já que a família não quis sair do sul. Marina, por sua vez, ficava bem junto das novas companhias e mesmo com idades diferentes, as três dividiam as mesmas questões e inseguranças. Maria estava recém divorciada, na faixa dos cinqüenta anos e já não podia perder tempo, então decidiu aproveitar a vida sem restrições. Mas ela ainda temia a vida de solteira, tinha amigas que se aventuravam em caminhos ainda pouco desbravados, faziam swing, freqüentavam clube das mulheres, experimentavam sexo homossexual e transavam com homens de todos os modelos. Mas Maria tinha seus pudores e queria ir com calma. Já a filha e a amiga eram bem mais liberais e aconselhavam:
- Eu se tivesse a sua experiência, com esse rosto bonito, esse corpinho de trinta e cinco ....com a sua idade, eu ia me divertir muito...
- Para com isso Marina. Vê se pode.. Maria ruborizava, mas no fundo concordava com a sabedoria da jovem mulher. Tinha tudo para conquistar corações ou simplesmente corpos, mas tinha medo. Medo da decepção, medo de se apaixonar e medo do julgamento das pessoas, da família e até do ex-marido. Para diminuir seus traumas, ela resolveu sair mais com mulheres solteiras da sua idade e ver como elas agiam.
...
Na primeira festa que foi com as amigas, observou o público alvo que ela dividiu em duas classes: os quarentões e os meninos. Estes ela descartava e o que restou, ela resolveu investir. A primeira conquista aconteceu no último minuto do segundo tempo e muito por causa do nível alcóolico de sua corrente sangüínea. Afinal, estava cheia de expectativas e não poderia voltar para casa frustrada. O homem, de seus quarenta e tantos, esbarrou nela e deixou cair toda a cerveja em sua roupa e Maria acabou caindo junto. O cara ficou tão sem jeito que fez de tudo para que ela não batesse nele.
Por favor, me desculpe, foi sem querer...
E Maria acabou puxando conversa:
- Você vem sempre aqui?
- Venho. Mas nunca te vi por aqui. Me perdoe, por favor.
- Deixe isso pra lá, acontece. Pois é, é a minha primeira vez...
Depois do diálogo introdutório, eles ficaram mais descontraídos:
- Eu adoro dançar e gostei muito daqui, das músicas, acho que vou voltar.
- Ë aqui é muito bom. Eu também gosto e devo voltar semana que vem...Quem sabe a gente se encontra?
- Seria bom...E terminou assim a sua primeira noite de divorciada.
...
Marina se confrontava pela primeira vez com o drama da vida, e descobria que não podia ter tudo só porque possuía a beleza, não sabia como lidar com aquilo, mas era preciso fazer algo. Apenas entrou e esperou para fazer uma cena das mais deploráveis. Maria decidiu não se envolver demais e ficou ali mesmo no jardim pensando na sorte daquela deusa mimada e estragada pela própria beleza. E pensou nela mesma. “como eu seria feliz se tivesse esse corpo... essa pele... esse rosto....” Ela olhava Marina e Rafaela de longe e pensava como a vida passava rápido e como ela pode ter se entregado tanto para um homem, seu marido, que não a havia valorizado. Bateu arrependimento, mas não desespero. Era uma mulher de fibra, que se orgulhava por saber como criar bem uma jovem com uma carreira tão difícil quanto promissora. Rafaela não cometeria os seus erros, essa era o seu consolo. Enquanto Maria pensava melancolicamente no destino, ela mal percebeu a presença de um belo jovem que descansava ao seu lado. O homem, interessado em algo mais do que um conselho de mulher mais velha, puxou conversa:
- Que loucura, né? Isso aqui hoje está demais. É celebridade para todos os lados e nós fotógrafos temos que passar por cada uma, somos uns otários mesmo, seguindo eles por todos os lados.... Aquelas meninas mal saíram das fraldas e já têm fama e dinheiro, dá pra entender?
DILEMAS DA VIDA MODERNA
Dinheiro, beleza, fama, notoriedade.... Valores que a sociedade atual preza como se fosse a salvação para todos os problemas. E, muitas vezes, são esses valores que atraem os problemas. Simplesmente, as pessoas aos poucos se distanciam da natureza, da simplicidade e se iludem com as informações das revistas, da televisão e acham que os famosos têm vidas perfeitas. Na verdade, são ilusões... As mulheres deste conto se confrontam com essas questões e chegam ao extremo para perceber que a felicidade é algo bem mais simples e possível.
Que tal pararmos de sonhar com o Brad Pitt ou o Leonardo Di Caprio e olharmos os nossos amigos, colegas de trabalho, vizinhos, gente que luta e sonha, que erra e acerta, que busca o autoconhecimento para tentar ser feliz. E que tal fazermos alguém feliz? Depois me contem o resultado.

