domingo, 27 de março de 2011

O encontro de Ares e Afrodite

Alessandra ensaiava a coreografia mais difícil de sua vida. A dança era um desafio constante, físico e psicológico. A música clássica, aos poucos, convidava às piruetas do ballet, que eram chamadas ao desafio do contemporâneo, com saltos e giros frenéticos, que davam lugar mais uma vez ao lírico e delicado, numa sequência de giros, braços e pernas em frenesi. O que, naquela noite de sábado, eram interrompidos por gritos bastante incômodos. "Eu mato esse desgraçado", pensava ela aos berros. Controlava-se e,  mais uma vez, invocava os deuses da arte para voltar à rotina. Os acordes do piano agora competiam abertamente com os sons vindos da sala ao lado, que normalmente ficava vazia naquele momento da semana. E para desespero de uma Afrodite compenetrada, os gritos de dor e luta corporal ficavam intensos demais. Alessandra, num impulso, correu para acabar com aquela agonia. Furiosa, percorreu os labirintos de sacos e toalhas, com cheiro de suor e quando viu a cena daquela batalha perturbadora, segurou seu instinto da guerra e ficou apenas observando, quieta. Olhos fixaram hipnotizados, como Narciso na beira do lago. O desenho da musculatura de braços eram as armas daquele homem bruto, belo, alucinante. A respiração teve que ser controlada, para que se transformasse na testemunha da enorme força, nenhum requinte ou disfarce, dele para vencer. Alex lutava bailando, como se tivesse nascido para aquela guerra com ele mesmo e era absolutamente, irresistivelmente sedutor. Alessandra esqueceu da própria luta, queria raptar aquele ser, captar a sua essência, consumir suas nuances e percorrer aqueles caminhos traçados com tensão e fluidez. Os socos se repetiam, mas não eram iguais, cada som gutural mexia com suas entranhas, o cheiro da raiva e do amor pelo desafio enchia a sala de paixão e Alessandra segurou o ímpeto de se colocar no lugar daquele instrumento frio de combate. Mas num instante, o desejo se fez maior. Um passo em falso e Alex caía gemendo de dor. Alessandra saiu de seu esconderijo e pôs pra fora sua força, oferecendo ajuda ao lutador. Ele, fascinado pela doçura do gesto e o corpo escultural da bailarina, esqueceu a dor, levantou-se e, olhando em seus olhos, sem nenhum aviso, a convidou para dançar um tango. A guerra dava o tom da dança de sedução que terminava na cama. Os dois se tornaram amantes regulares, de cumplicidade silenciosa. E uma nova guerra os chamava para dançar novamente e sucessivamente.


MITOLOGIA
Ares, também chamado de Marte, era o deus da guerra, dos combates irracionais, puramente instintivos. Homens e mulheres com esse arquétipo ariano estão sempre prontos para o desafio, os confrontos, as iniciativas. O deus Ares teve um longo caso de amor com Afrodite, a deusa do Amor e da Beleza. Os dois amantes foram descobertos pelo marido de Afrodite, Hefesto, o deus ferreiro, que criou uma armadilha para pegar os dois na cama. Mas, os deuses acharam aquilo muito ridículo e acabaram absolvendo os amantes. Ares e Afrodite tiveram vários filhos, como os meninos Pânico (Phobos) e Medo (Deimos), e também a menina Harmonia. Os gregos sugerem que do Amor e Guerra pode nascer a Paz, até porque com amor dá pra vencer qualquer batalha, não é mesmo?

quarta-feira, 9 de março de 2011

A dor e a delícia de ser... Homem.

Oito de março, Dia Internacional da Mulher. Esse ano, terça-feira de carnaval, passou batido, mas fico me perguntando se ainda temos o que bater nas questões feministas, já que a revolução já tomou o seu rumo e não há mais dúvidas sobre o valor da mulher na sociedade. Alguém ainda questiona a competência delas no poder?  Dilma Rousseff, Hilary Clinton, Martha Rocha - a chefona da polícia civil - e tantas outras cabeças femininas na liderança não nos deixam a menor sombra de desconfiança sobre a capacidade de luta e inteligência da mulher.

Mas, o x da questão agora, me parece, é o papel do homem hoje e que tipo de companheiro essa mulher poderosa deseja... A primeira questão é muito ampla e já se discute muito por aí. Eu, particularmente, acho que não mudou muito, o que alterou foi o peso das responsabilidades - agora dividido entre homens e mulheres nas relações. Homem continua tendo que pagar contas, dar exemplo e limite aos filhos, ser responsável por seus atos e cuidar de sua mulher, no sentido mais emocional e também físico, quando a integridade dela é ameaçada. Também acho que eles têm mesmo que pagar a conta do restaurante e do motel, quando tem condições para isso. Não que seja nada demais elas dividirem, mas o ato de cavalheirismo é genuíno e a generosidade sempre será retribuída, aquecendo a chama da sedução. Acho que isso não vai mudar nunca.

A questão mais importante para as mulheres nos dias de hoje penso que seja no que diz respeito às atitudes masculinas que ainda queremos preservar, mesmo em tempos de igualdades de gêneros. Vejo muitas mulheres assumindo as rédeas da conquista, deixando clara a vontade de seduzir sem limites e adotando uma postura altamente masculina nas questões sexuais. E fico um pouco assustada, porque me parece que isso coloca o feminino em um nível inferior, como se a inversão do papel deixasse a mulher ainda mais poderosa, ao custo da sua verdadeira força natural, que é o ser feminino. Por exemplo: mulheres que usam um linguajar muito masculino, bradando palavrões em rodas de chope e analisando futebol, podem até garantir o homem da noite, mas acho difícil conquistarem o ser humano, porque a natureza deste homem vai sempre buscar o desconhecido, o diferente que fascina. A não ser que este ser esteja tão afastado das referências femininas, ou que acabe aceitando essa postura masculina da mulher como forma de afastamento desta energia, por algum motivo mais profundo, uma raiva contida, uma questão com a mãe. Mas vamos deixar Freud fora desta, o babado é complexo mesmo...

Acredito que, neste momento, os homens estão bastante confusos sobre esta nova mulher. E assustados também, afinal, foram séculos de patriarcado e ele ainda permanece, mesmo com uma tendência a se alterar gradualmente. Mas o que acho válido refletir é: será que não seria melhor e mais produtivo acolher as diferenças ao invés de se igualar, tentar integrar as energias yin e yang? Por exemplo: ao invés de ser muito direta na sedução, as mulheres poderiam usar a inteligência e a sensibilidade para facilitar a aproximação, com olhares, sorrisos e uma boa dose de charme e mistério para que eles tenham a curiosidades de procurá-las num segundo encontro. E os homens poderiam ser mais sinceros ao seduzir, aproveitando a situação mas evitando a desilusão amorosa, aquela sensação de que não querem compromisso, só porque curtiram uma noite e não querem dar continuação, o que não tem nada demais. Homens e mulheres não precisam ser escravos dos instintos, mas penso que poderiam usá-los de maneira mais responsável e sensível, cuidando para não ferir ou diminuir o outro. Afinal, se direitos e deveres são os mesmos, porque não aproveitar isso com verdade e intensidade?

Homens e mulheres nunca serão exatamente iguais, mas no dia em que formos seres totais - masculino e feminino integrado e curado dentro de cada um de nós - as relações certamente ficarão mais proveitosas e essa guerrinha dos sexo chata e cansativa vai finalmente acabar. A tensão dos hormônios, jamais!!! Se não perde a graça...

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Síndrome de Peter Pan

Peter Pan é um personagem bonitinho, querido por todos, não há quem o deteste ou o ache ultrapassado. Ele nos remonta à ideia de que a infância é a fase mais lúdica e rica da vida. Mas, será que é isso mesmo? Vejo hoje em dia crianças sofrendo bullyng, tendo que enfrentar críticas em tempos de you tube e se virando nos 30 para que seus pais - seres confusos - entendam que elas podem ter sim seu espaço e talento reconhecidos, mas que ainda precisam de orientação e proteção, porque ainda não são adultos.

Ouvindo e mesmo vivendo histórias de adultos nos tempos modernos vejo também os que resistem a crescer, agindo de forma infantil e despreparada. Tempos difíceis os que vivemos, mas vamos tentar entender... Eu me lembro com muito carinho da infância, não havia cobranças da sociedade e, como venho de uma família razoavelmente grande (tenho duas irmãs), me lembro da casa cheia de amigos, dos paqueras, os telefones tocando, muito entra e sai e, uma sensação de aconchego que dá saudades. Mas também me lembro das broncas do meu pai, das discussões com minha mãe e das diferenças com minhas irmãs e isso não é nada legal. Então, hoje com quase 35 anos vejo muitas pessoas da mesma faixa etária custando a acreditar que cresceram.

São ações impensadas, frases ditas sem nenhuma reflexão ou preocupação com o outro, atitudes de adolescente sem causa e uma dificuldade enorme de enfrentar os revezes da vida. Não estou me colocando fora da berlinda, sempre faço a reflexão do quanto estou sendo madura e o quanto de mim ainda está a fim de ficar na adolescência. Mas o fato é que não dá pra negar e passar batido nessas questões.

Então, cheguei a algumas conclusões que funcionam pelo menos para mim. Decidi viver mesmo a vida adulta das responsabilidades, contas a pagar, escolhas a fazer e caminhos a seguir. Mas sem deixar a minha criança de lado. Eu a ressuscito ao fazer algum trabalho artístico como costurar, pintar, desenhar ou construir castelos de argila, danço Lady Gaga,e imito Byeoncè fazendo a faxina de casa. E brinco o carnaval sempre com alguma fantasia ou adereço colorido. E durante a paquera, o flerte, não tem nada demais fazer charminho de Penélope... Mas, quando chega segunda-feira, lembro de me concentrar no presente, como dona do meu destino, e executar as tarefas direitinho para que a minha alma se reconheça como uma pessoa divertida, leve mas sábia também, porque os limites e decisões fazem parte da vida adulta.

Beijos!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Quem é o dono do meu coração?

O título da nova música "chicletinho" do momento, da menina-sensação, Miley Cyrus, me inspirou essa crônica. Você sabe quem é o dono do seu coração? O que ativa o centro da sua alma mais facilmente: uma pessoa, uma atividade, um pensamento, o seu talento... A lista de opções é enorme, mas na verdade, a gente  olha tanto pra fora que o primeiro impulso é dizer: o meu filho (ou filha), meu amor, minha família, minha fé, minha casa, minhas viagens, minhas conquistas profissionais. Mas o que, de verdade, ativa positivamente o seu íntimo mais profundo? Consigo enxergar isso nas pessoas pelo brilho nos olhos quando falam de algo que estão fazendo ou planejando com aquele carinho especial...

Outro dia, numa festa de aniversário infantil, me pus a investigar esse sentimento. Conversando com uma amiga, ela me revelou que estava super bem de vida, mudou-se de cidade e está ganhando dinheiro "pela primeira vez na vida". Fiquei muito feliz por ela, de verdade... Poxa, não está fácil ganhar a vida no Rio de Janeiro, ainda mais como jornalista. Mas, a conversa seguiu adiante e ela me confidenciou que também está namorando. Os olhos começaram a brilhar diferente... Então, fui dando corda, colocando lenha e perguntei se ela ainda tinha esperanças de ter filhos. Nossa, aí o seu rosto se encheu de luz! Essa ideia de ser mãe é o que realmente preenche o seu coração...

Outra amiga, que acaba de comemorar o aniversário de um ano da filha tem um dom: editar vídeos com uma sensibilidade e habilidade tamanha, mas essa atividade não é muito explorada por ela. Mesmo assim, fez questão de presentear os amigos com um maravilhoso filme sobre essa conquista tão especial. E isso, certamente inspirou muitas pessoas, com ou sem filhos. Eu fui uma delas...

Na mesma linha de pensamento, sou confidente de outra amiga, veterinária bem-sucedida, que é uma artista nata, mas que foi sempre desmotivada pelos pais e a sociedade. Agora, que é dona de seu destino, está radiante por ter voltado a pintar, e inclusive está investindo tempo e dinheiro na pintura. Ela é mãe, bem casada, mas o talento falou mais alto e, não há quem tire o sorriso de seus lábios quando fala de sua criação.

Então, eu, Miley Cyrus, Renata, Melissa, Rosane e tantas outras mulheres nos perguntamos: a quem pertence nosso coração? Ao amor ou à arte? Acho que aos dois....Um não pode viver sem o outro.

Para quem não conhece, segue o clipe da garotinha cantora que me conquistou com essa letra graciosa. Como artista, ela ainda tem muito o que aprender com titia Madonna, mas essa música ganhou meu coração por alguns momentos...

Beijos



A Quem Pertence Meu Coração

R-O-C-K máfia


A criação me mostra o que fazer
Estou dançando na pista com você
E quando você toca minha mão
Eu vou a loucura, yeah
A música me diz o que sentir
Eu gosto de você agora
Mas é real no momento em que dizemos adeus?
Eu vou saber se isso é certo
E eu sinto você (você) vindo pelas minhas veias
Eu estou afim de você ou é culpa da música?


A quem pertence meu coração
É amor ou é arte?
Porque do jeito que você balança o seu corpo
Me deixa confusa
E eu não posso dizer se é a batida ou as faíscas
Quem possui meu coração?
É amor ou é arte?
Você sabe que eu quero acreditar que nós somos uma obra-prima
Mas as vezes é difícil de dizer na escuridão
A quem pertence o meu coração


A sala está cheia
Mas tudo que eu vejo é o jeito
Que seus olhos chamam por mim
Como fogo no escuro
Nós somos como a arte de viver
Isso me acerta
Como uma onda
Você está me sentindo
Ou é culpa da música?


A quem pertence meu coração
É amor ou é arte?
Porque do jeito que você balança o seu corpo
Me deixa confusa
E eu não posso dizer se é a batida ou as faíscas
Quem possui meu coração?
É amor ou é arte?
Você sabe que eu quero acreditar que nós somos uma obra-prima
Mas as vezes é difícil de dizer na escuridão
A quem pertence o meu coração


Então venha,baby
Continue me provocando
Continue a me enlaçar
Como Romeu
Baby, me coloque mais perto
Venha
Aqui vamos nós (x3)


E isso me acerta
Como uma onda
Você está me sentindo
Ou é culpa da música?


A quem pertence meu coração
É amor ou é arte?
Porque do jeito que você balança o seu corpo
Me deixa confusa
E eu não posso dizer se é a batida ou as faíscas
Quem possui meu coração?
É amor ou é arte?
Você sabe que eu quero acreditar que nós somos uma obra-prima
Mas as vezes é difícil de dizer na escuridão
A quem pertence o meu coração



quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Lá vem o sol... Ensaio sobre a luz

Com a estação mais quente do ano, a tendência nossa carioca de cada dia, é reclamar do calor... Realmente, às vezes pedimos clemência aos céus nessa época do ano, com termômetros em 40 graus. Mas eu, nascida em pleno verão de março, sou ensolarada desde a fase fetal e, posteriormente, cresci em um quarto de mesmo tom esfuziante. Aliás, o amarelo é uma cor vibrante que sempre me põe pra cima em qualquer ocasião. Então, não poderia deixar de reverenciar o astro rei nesses dias de sol à pino nos trópicos.

Já repararam como o dia fica mais belo com o sol? Nossa, eu não sou uma pessoa nublada nublada mesmo. Meu humor e ânimo não combinam com o cinza. A chuva, santa e devassa, que me perdoe. Sei que você é necessária e bem-vinda, na medida certa, mas o sol... Ah, o sol... Tem alguma coisa melhor do que pegar uma praia com aquele dia iluminado, que deixa o céu com um azul tão aberto e feliz? As montanhas, as árvores, o verde, as flores, todos celebram o astro campeão de luminosidade, jogando um colorido diferente em tudo, desde o mais comum concreto ao mais vasto jardim. Afinal, o sol é o senhor do universo, dá conta de si mesmo sozinho, brilha tanto e por si só, e ainda divide o seu calor e expressividade com outros astros menos afortunados. Sabe a estrelinha que você vê e fica lá suspirando? É reflexo do sol. Sabe a lua, belíssima e misteriosa que quando fica cheia faz a gente perder a cabeça? Reflexo do sol. E o eclipse do sol com a Terra, fenômeno fascinante que nos deixa de boca aberta? O sol tá na área, de novo....

Se formos analisar ainda mais profundamente, pegando o mito grego (descrito aqui ao lado), e levando para os arquétipos humanos, que falam diretamente com o nosso emocional, o sol representa a luz da consciência, a espiritualidade, porque seu brilho é único, tanto interno como externamente. O sol não esconde nada, apenas se compromete a doar luminosidade, verdade e pureza a quem quiser e não quiser olhar para ele. A luz que revela tudo vem do sol e os nossos talentos têm a ver com esse belo astro também, imponente e ao mesmo tempo humilde, tranquilo, transparente... Quando se distancia, não é por falta de vontade ou crise de identidade, mas porque sua generosidade deixa as nuvens o esconderem. Coisas da natureza, pra gente valorizar o que é bom. Nada como um amarelo depois de um cinza. Os curitibanos e paulistamos que o digam!

O arcano XIX do tarot também fala dessa luz, da inocência que, na verdade, é a nossa essência, a nossa verdade Divina. O astro rei nos remete também aos dons escondidinhos lá dentro, que a gente teima em não deixar sair pro mundo - ou por medo, ou por pura preguiça mesmo. O sol não teme nada. Ele sabe que pode brilhar e dá a vez pra outros brilharem também. Então, meus caros, brilhemos em nosso interior para que essa luz seja irradiada longe e chegue a todos, sem medo de ser feliz. Como dizem os poeta do país mais cinza da Europa, em tradução do nosso querido e luminoso poeta carioca: "Lá vem o sol... Lá vem o sol... E eu já sei, tá legal !!!"
 

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Guerra no Amor

Fernanda e Ignácio descobriram um no outro uma fonte de prazer inesgotável. Mas também eram um para o outro um desafio intelectual perturbador e excitante, mas que estava para acabar a qualquer instante. Os dois já não tinham razões para debates acalorados. Já tinham discutido tudo: a guerra do Iraque - ela era a favor, ele contra; a igreja Católica - ela cristã fervorosa, ele ateu; os rumos da política brasileira - ele criticava Lula e ela queria Dilma. Quando se encontravam no trabalho, não tinham mais o que divergir, mas o sexo era bom demais para que deixassem de lado as controvérsias e, eles encontraram um novo debate.
O drama deste casal faz parte do conto, O que é que o cafajeste tem? do livro Diários de Afrodites. Nele, essas pobre almas encontram na discussão intelectual uma forma de escudo para os verdadeiros sentimentos - de atração e afeto que desenvolvem um pelo outro - por medo, ou desistência de se entregar ao amor verdadeiro. Este conto, assim como histórias da vida real e das novelas, filmes, livros, me fez aprofundar no tema: guerra no amor. Por que cada vez mais vemos casais se atracando ou se agredindo verbalmente, perdendo a paciência, reclamando pelas costas, terminando e voltando sem parar? E fui, claro, pesquisar nos livros que falam sobre o tema. Como gosto de escrever, falar e desvendar os segredos - profundos - da alma humana, especialmente nos relacionamentos homem-mulher, achei uma pérola que gostaria de dividir neste espaço.

O livro Amor perfeito, relacionamentos imperfeitos - Curando a mágoa do coração, do psicoterapeuta americano, John Welwood (Editora Gaia), nos mostra de forma simples porque não conseguimos ser felizes com nossas escolhas amorosas. A resposta é bem dura: porque atraímos pessoas que nos remetem à falta de amor da infância, que nos marca profundamente. Não adianta reclamar com Freud, nisso o pai da psicanálise acertou em cheio. No livro, o autor explica com funciona esse mecanismo autodestrutivo. É mais ou menos assim: você teve um pai ou mãe que não te amou o suficiente, ou porque não tinha tempo, ou porque era uma pessoa carente e difícil mesmo. Enfim, ficou faltando atenção, aí o adulto passa a achar que não é bom o suficiente para merecer o amor ou que ninguém vai amá-lo do jeito que é. Já viu no que isso vai dar, né? Gato correndo atrás do próprio rabo!!! Aquele trauma inconsciente fica ali, fazendo com que a pessoa escolha a dedo o pior candidato possível, ou se feche para uma possibilidade afetiva saudável.

Sei que muita gente acha chato esse papo analítico, mas o que vejo nos tempos atuais é grave, muita gente perdida culpando o outro por tudo, transformando a própria vida e a do outro um verdadeiro inferno. Na verdade, está tudo dentro dela mesma e, para melhorar as relações afetivas - e não ficar achando que estamos vivendo o apocalipse do casamento heterossexual  - eu recomendo terapia, autoanálise, leitura, ou seja, muita reflexão. Se preciso, fique sozinho por um tempo.

O mais legal no livro de Welwood, que o diferencia de tantos outros sobre a mente humana, é que este oferece práticas muito simples e possíveis para amenizar a mágoa do coração - a tal que nos faz procurar os sujeitos errados. Eu fiz e recomendo!!!

Boa leitura. Beijos!!!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Rituais de Ano Novo ou Despedidas e Saudações


Tá chegando a hora de nos despedirmos de mais um ano... Todo mundo animado, afinal vamos beber champanhe, comer rabanada (de novo), abraçar amigos e amores e, é claro, renovar os desejos e metas para o próximo ano. Ah, quem me disser que não faz uma revisão do ano que passou para entrar o Ano Novo com pé direito, tá mentindo! Tá bom, tem gente que não liga pra simpatias e superstições dessa época, mas vamos analisar mais coletivamente o sentido desta festa da virada.

No calendário, o primeiro de janeiro é um dia como outro qualquer, mas se os Humanos criaram esse ritual tão legal e festivo deve ter um porquê. E tem. O sistema nervoso, mental e espiritual dos terráquios inteligentes necessita de uma pausa, de encerrar um ciclo para começar outro. Claro, tem muita gente que continua pelando o saco do outro, sem-noção, mas a maioria das pessoas, adota esses rituais de passagem para aliviar a barra e tentar recomeçar. Se não do zero, pelo menos de uma quilometragem menos carregada!!!

E nessas tarefas de fim de ano vale tudo: simpatias (comer romã e uvas para atrair prospedidade), cromoterapia (escolher cores conforme os seus desejos, a campeã da mulherada), superstições (pular 12 ondas e fazer um pedido para cada mês do ano), além de rituais sagrados, como jogar flores pra Iemanjá (conheço gente que nem é do babado, mas no dia primeiro faz de tudo pra ficar bem com todos os santos). Acho, particularmente, tudo isso válido. Explico: todos esses rituais - acrescentados a uma boa reflexão do que deu certo e do que precisa ser revisto - servem para que a gente consiga visualizar os desejos com o objetivo de que se tornem algo viável, e não apenas um sonho distante. Eu tenho um hábito anual de que gosto muito: pego uma folha de papel e coloco tudo aquilo que eu não quero mais em 2011 (não tô falando de roupa velha, mas de hábitos que cultivo e não me servem mais) e faço outra lista com nove metas que desejo. E elas podem ser materiais ou imateriais. Acho que as imateriais são fundamentais para que as materiais se concretizem. Exemplo hipotético: como vou conquistar um novo emprego se continuo preguiçosa esperando que uma oferta de trabalho caia, como um pop-up na minha caixa de email? Então, todas as metas colocadas no papel se seguem daquilo que é preciso superar para conquistá-la. E, sabem que tem dado certo...

Todo dia 31 eu revejo a lista do ano anterior e refaço, pego o que ficou faltando concretizar e vejo se aquilo ainda é necessário para a minha existência. Se for, eu incluo de novo, se não, descarto. Também faz parte do ritual agradecer à existência por tudo o que eu conquistei e mantive e, me despedir carinhosamente do que não preciso mais. Depois, me concentro nos objetivos para o próximo ano. Então, eu sugiro que faça isso. Tente, não custa nada. Se preferir, deixe a sua lista à vista em algum lugar só seu, para que durante o ano você olhe e cultive aquele desejo. O ser humano precisa sonhar, mas os sonhos podem virar frustração ou realização, basta a gente ser honesto, arregaçar as mangas e ir atrás daquela meta. Todo sonho está ao nosso alcance, basta ter estratégias claras e, um certo merecimento, mas até disso a gente pode correr atrás, não é?.

Então, listei nove desejos para toda a Humanidade, incluindo vocês meus queridos leitores, amigos e parentes de sangue ou de alma:

1. Que a paz reine não só nas ruas do Rio de Janeiro e no Complexo do Alemão, mas dentro de cada um de nós, nos relacionamentos afetivos, no trabalho, nas filas de supermercado...

2. Que todos melhorem seus ganhos financeiros, e que eles sejam resultado de um esforço pelo bem comum e o futuro do Planeta (ganhar na mega-sena e apelar pelo velho jeitinho brasileiro estão descartados),

3. Que conquistem a casa, o carro, a viagem dos seus sonhos (mas não se esqueçam da poluição do planeta e do perigo das dívidas, afinal é melhor ter menos do que se preocupar demais),

4. Que tenham o amor que desejam: com respeito, paixão, boas risadas, companheirismo e sexo satisfatório;

5. Que sejam promovidos nos empregos ou busquem uma nova forma de realização profissional que realmente os façam  se sentir felizes na essência, porque o mundo não precisa de mais frustração;

6. Que vocês possam amar e ser amados como são e pelo o que são, não pelo que têm ou cargo que ocupam;

7. Que os seus amigos se multipliquem e com eles as risadas, os momentos divertidos, os cinemas, os chopinhos, as paqueras...

8. Que vocês (todos nós) consigam perder os quilinhos indesejados, que já começam a a se acumular, deixem a preguiça de lado e respeitem e amem seus corpos;

9. Que nós possamos buscar sempre o equilíbrio entre mente, corpo e espírito para que possamos fazer escolhas mais maduras e acertadas.

                                                        FELIZ 2011 !!!!