quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Lá vem o sol... Ensaio sobre a luz

Com a estação mais quente do ano, a tendência nossa carioca de cada dia, é reclamar do calor... Realmente, às vezes pedimos clemência aos céus nessa época do ano, com termômetros em 40 graus. Mas eu, nascida em pleno verão de março, sou ensolarada desde a fase fetal e, posteriormente, cresci em um quarto de mesmo tom esfuziante. Aliás, o amarelo é uma cor vibrante que sempre me põe pra cima em qualquer ocasião. Então, não poderia deixar de reverenciar o astro rei nesses dias de sol à pino nos trópicos.

Já repararam como o dia fica mais belo com o sol? Nossa, eu não sou uma pessoa nublada nublada mesmo. Meu humor e ânimo não combinam com o cinza. A chuva, santa e devassa, que me perdoe. Sei que você é necessária e bem-vinda, na medida certa, mas o sol... Ah, o sol... Tem alguma coisa melhor do que pegar uma praia com aquele dia iluminado, que deixa o céu com um azul tão aberto e feliz? As montanhas, as árvores, o verde, as flores, todos celebram o astro campeão de luminosidade, jogando um colorido diferente em tudo, desde o mais comum concreto ao mais vasto jardim. Afinal, o sol é o senhor do universo, dá conta de si mesmo sozinho, brilha tanto e por si só, e ainda divide o seu calor e expressividade com outros astros menos afortunados. Sabe a estrelinha que você vê e fica lá suspirando? É reflexo do sol. Sabe a lua, belíssima e misteriosa que quando fica cheia faz a gente perder a cabeça? Reflexo do sol. E o eclipse do sol com a Terra, fenômeno fascinante que nos deixa de boca aberta? O sol tá na área, de novo....

Se formos analisar ainda mais profundamente, pegando o mito grego (descrito aqui ao lado), e levando para os arquétipos humanos, que falam diretamente com o nosso emocional, o sol representa a luz da consciência, a espiritualidade, porque seu brilho é único, tanto interno como externamente. O sol não esconde nada, apenas se compromete a doar luminosidade, verdade e pureza a quem quiser e não quiser olhar para ele. A luz que revela tudo vem do sol e os nossos talentos têm a ver com esse belo astro também, imponente e ao mesmo tempo humilde, tranquilo, transparente... Quando se distancia, não é por falta de vontade ou crise de identidade, mas porque sua generosidade deixa as nuvens o esconderem. Coisas da natureza, pra gente valorizar o que é bom. Nada como um amarelo depois de um cinza. Os curitibanos e paulistamos que o digam!

O arcano XIX do tarot também fala dessa luz, da inocência que, na verdade, é a nossa essência, a nossa verdade Divina. O astro rei nos remete também aos dons escondidinhos lá dentro, que a gente teima em não deixar sair pro mundo - ou por medo, ou por pura preguiça mesmo. O sol não teme nada. Ele sabe que pode brilhar e dá a vez pra outros brilharem também. Então, meus caros, brilhemos em nosso interior para que essa luz seja irradiada longe e chegue a todos, sem medo de ser feliz. Como dizem os poeta do país mais cinza da Europa, em tradução do nosso querido e luminoso poeta carioca: "Lá vem o sol... Lá vem o sol... E eu já sei, tá legal !!!"
 

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Guerra no Amor

Fernanda e Ignácio descobriram um no outro uma fonte de prazer inesgotável. Mas também eram um para o outro um desafio intelectual perturbador e excitante, mas que estava para acabar a qualquer instante. Os dois já não tinham razões para debates acalorados. Já tinham discutido tudo: a guerra do Iraque - ela era a favor, ele contra; a igreja Católica - ela cristã fervorosa, ele ateu; os rumos da política brasileira - ele criticava Lula e ela queria Dilma. Quando se encontravam no trabalho, não tinham mais o que divergir, mas o sexo era bom demais para que deixassem de lado as controvérsias e, eles encontraram um novo debate.
O drama deste casal faz parte do conto, O que é que o cafajeste tem? do livro Diários de Afrodites. Nele, essas pobre almas encontram na discussão intelectual uma forma de escudo para os verdadeiros sentimentos - de atração e afeto que desenvolvem um pelo outro - por medo, ou desistência de se entregar ao amor verdadeiro. Este conto, assim como histórias da vida real e das novelas, filmes, livros, me fez aprofundar no tema: guerra no amor. Por que cada vez mais vemos casais se atracando ou se agredindo verbalmente, perdendo a paciência, reclamando pelas costas, terminando e voltando sem parar? E fui, claro, pesquisar nos livros que falam sobre o tema. Como gosto de escrever, falar e desvendar os segredos - profundos - da alma humana, especialmente nos relacionamentos homem-mulher, achei uma pérola que gostaria de dividir neste espaço.

O livro Amor perfeito, relacionamentos imperfeitos - Curando a mágoa do coração, do psicoterapeuta americano, John Welwood (Editora Gaia), nos mostra de forma simples porque não conseguimos ser felizes com nossas escolhas amorosas. A resposta é bem dura: porque atraímos pessoas que nos remetem à falta de amor da infância, que nos marca profundamente. Não adianta reclamar com Freud, nisso o pai da psicanálise acertou em cheio. No livro, o autor explica com funciona esse mecanismo autodestrutivo. É mais ou menos assim: você teve um pai ou mãe que não te amou o suficiente, ou porque não tinha tempo, ou porque era uma pessoa carente e difícil mesmo. Enfim, ficou faltando atenção, aí o adulto passa a achar que não é bom o suficiente para merecer o amor ou que ninguém vai amá-lo do jeito que é. Já viu no que isso vai dar, né? Gato correndo atrás do próprio rabo!!! Aquele trauma inconsciente fica ali, fazendo com que a pessoa escolha a dedo o pior candidato possível, ou se feche para uma possibilidade afetiva saudável.

Sei que muita gente acha chato esse papo analítico, mas o que vejo nos tempos atuais é grave, muita gente perdida culpando o outro por tudo, transformando a própria vida e a do outro um verdadeiro inferno. Na verdade, está tudo dentro dela mesma e, para melhorar as relações afetivas - e não ficar achando que estamos vivendo o apocalipse do casamento heterossexual  - eu recomendo terapia, autoanálise, leitura, ou seja, muita reflexão. Se preciso, fique sozinho por um tempo.

O mais legal no livro de Welwood, que o diferencia de tantos outros sobre a mente humana, é que este oferece práticas muito simples e possíveis para amenizar a mágoa do coração - a tal que nos faz procurar os sujeitos errados. Eu fiz e recomendo!!!

Boa leitura. Beijos!!!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Rituais de Ano Novo ou Despedidas e Saudações


Tá chegando a hora de nos despedirmos de mais um ano... Todo mundo animado, afinal vamos beber champanhe, comer rabanada (de novo), abraçar amigos e amores e, é claro, renovar os desejos e metas para o próximo ano. Ah, quem me disser que não faz uma revisão do ano que passou para entrar o Ano Novo com pé direito, tá mentindo! Tá bom, tem gente que não liga pra simpatias e superstições dessa época, mas vamos analisar mais coletivamente o sentido desta festa da virada.

No calendário, o primeiro de janeiro é um dia como outro qualquer, mas se os Humanos criaram esse ritual tão legal e festivo deve ter um porquê. E tem. O sistema nervoso, mental e espiritual dos terráquios inteligentes necessita de uma pausa, de encerrar um ciclo para começar outro. Claro, tem muita gente que continua pelando o saco do outro, sem-noção, mas a maioria das pessoas, adota esses rituais de passagem para aliviar a barra e tentar recomeçar. Se não do zero, pelo menos de uma quilometragem menos carregada!!!

E nessas tarefas de fim de ano vale tudo: simpatias (comer romã e uvas para atrair prospedidade), cromoterapia (escolher cores conforme os seus desejos, a campeã da mulherada), superstições (pular 12 ondas e fazer um pedido para cada mês do ano), além de rituais sagrados, como jogar flores pra Iemanjá (conheço gente que nem é do babado, mas no dia primeiro faz de tudo pra ficar bem com todos os santos). Acho, particularmente, tudo isso válido. Explico: todos esses rituais - acrescentados a uma boa reflexão do que deu certo e do que precisa ser revisto - servem para que a gente consiga visualizar os desejos com o objetivo de que se tornem algo viável, e não apenas um sonho distante. Eu tenho um hábito anual de que gosto muito: pego uma folha de papel e coloco tudo aquilo que eu não quero mais em 2011 (não tô falando de roupa velha, mas de hábitos que cultivo e não me servem mais) e faço outra lista com nove metas que desejo. E elas podem ser materiais ou imateriais. Acho que as imateriais são fundamentais para que as materiais se concretizem. Exemplo hipotético: como vou conquistar um novo emprego se continuo preguiçosa esperando que uma oferta de trabalho caia, como um pop-up na minha caixa de email? Então, todas as metas colocadas no papel se seguem daquilo que é preciso superar para conquistá-la. E, sabem que tem dado certo...

Todo dia 31 eu revejo a lista do ano anterior e refaço, pego o que ficou faltando concretizar e vejo se aquilo ainda é necessário para a minha existência. Se for, eu incluo de novo, se não, descarto. Também faz parte do ritual agradecer à existência por tudo o que eu conquistei e mantive e, me despedir carinhosamente do que não preciso mais. Depois, me concentro nos objetivos para o próximo ano. Então, eu sugiro que faça isso. Tente, não custa nada. Se preferir, deixe a sua lista à vista em algum lugar só seu, para que durante o ano você olhe e cultive aquele desejo. O ser humano precisa sonhar, mas os sonhos podem virar frustração ou realização, basta a gente ser honesto, arregaçar as mangas e ir atrás daquela meta. Todo sonho está ao nosso alcance, basta ter estratégias claras e, um certo merecimento, mas até disso a gente pode correr atrás, não é?.

Então, listei nove desejos para toda a Humanidade, incluindo vocês meus queridos leitores, amigos e parentes de sangue ou de alma:

1. Que a paz reine não só nas ruas do Rio de Janeiro e no Complexo do Alemão, mas dentro de cada um de nós, nos relacionamentos afetivos, no trabalho, nas filas de supermercado...

2. Que todos melhorem seus ganhos financeiros, e que eles sejam resultado de um esforço pelo bem comum e o futuro do Planeta (ganhar na mega-sena e apelar pelo velho jeitinho brasileiro estão descartados),

3. Que conquistem a casa, o carro, a viagem dos seus sonhos (mas não se esqueçam da poluição do planeta e do perigo das dívidas, afinal é melhor ter menos do que se preocupar demais),

4. Que tenham o amor que desejam: com respeito, paixão, boas risadas, companheirismo e sexo satisfatório;

5. Que sejam promovidos nos empregos ou busquem uma nova forma de realização profissional que realmente os façam  se sentir felizes na essência, porque o mundo não precisa de mais frustração;

6. Que vocês possam amar e ser amados como são e pelo o que são, não pelo que têm ou cargo que ocupam;

7. Que os seus amigos se multipliquem e com eles as risadas, os momentos divertidos, os cinemas, os chopinhos, as paqueras...

8. Que vocês (todos nós) consigam perder os quilinhos indesejados, que já começam a a se acumular, deixem a preguiça de lado e respeitem e amem seus corpos;

9. Que nós possamos buscar sempre o equilíbrio entre mente, corpo e espírito para que possamos fazer escolhas mais maduras e acertadas.

                                                        FELIZ 2011 !!!!

domingo, 5 de dezembro de 2010

Filho de papel

Ele foi inseminado pela enorme vontade de expressar o que a mente já cansava de explorar. Eram muitas vidas, muitas situações inusitadas, irônicas, beirando ao ridículo. E, ao lado dessa vontade, ainda tinha os anseios, as expectativas, a procura pela tampa das panelas femininas, as almas masculinas, penadas ou gêmeas, que de fato pudessem satisfazer as necessidades internas, sejam quais fossem, dessas mulheres.

Então, ele foi sendo gerado pelo mais delicioso sabor da escrita, as possibilidades sem-fim da língua portuguesa de fazer vir ao mundo sonhos, ideias, situações caóticas que toda mulher já passou ou um dia vai passar. E as histórias foram vindo, uma a uma, de vários lugares... Vinham de situações contadas por amigas à beira de um ataque de nervos, de livros lidos, das minhas próprias experimentações no campo amoroso, do inconsciente coletivo e da mitologia.

As deusas gregas foram criadas há milânios, mas, pasmem, elas ainda estão presentes no nosso cotidiano. E isso me intrigou. Vamos fazer um teste: quem nunca conheceu uma mulher que sabe do seu poder de sedução, e seduz naturalmente, onde quer que ela esteja? Afrodite...

E você certamente conhece aquela mulher que só pensa em trabalho, e vê os homens como meros objetos de desejo sexual? Atenas... E a mãezona, aquela que larga tudo para ficar com a família? Deméter... Ah, e a esposa perfeita, que vive para providenciar tudo ao marido e fazer com que ele brilhe? Hera...

Todas essas mulheres vieram ao meu encontro e, unido a minha imaginação fértil a essas deusas incansáveis e complexas, saíram os contos. Eles foram nascendo aos poucos, de acordo com a vibração e os questionamentos do momento. Então, tem mulher que gosta de cafajeste, mulher que quer encontrar amor e sexo, mulher que quer se realizar profissionalmente e está se lixando pra ser mãe, mulher que deseja compartilhar a vida, mulher que quer liberdade, mulher que sonha em casar e construir família, mulher que sonha em comprar um belo apartamento.... Mulher que compete, mulher que afaga, mulher que luta, mulher que sucumbe, mulher que ama, mulher que prefere não amar.

Todas nós estamos nessas deusas, que saem das páginas para viverem livres nas mentes e corações dos leitores. A vocês, meus queridos, eu apresento o meu filho: Diários de Afrodites.

Dia: 11/12 - sábado
Horário: 19h
Local: Espaço Multifoco - Av. Mem de Sá, 126 - Lapa

   

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Tricotando...


Amélia e Bianca, Afrodites veteranas, se encontraram por acaso, como força do destino, durante um engarrafamento monstruoso na Avenida Brasil. Nunca tinham se visto, mas as duas tinham tudo a ver, só não sabiam. Naquela tarde de terça, sem nada o que poder fazer - uma tinha contas a pagar a outra unha a fazer - se olharam e começaram a desabafar...
Amélia, que era mulher de verdade no século XXI inaugurou a discussão, que mais tarde, mudaria o rumo daquele tédio acalorado, em meio ao caos urbano.
- Homem não é tudo igual?
- Acho que sim - disfarçou Bianca. A outra ignorou o desconhecimento da desconhecida e tagarelou.
- Olha, eu estou há 10 anos com o mesmo cara, e ele consegue me irritar todos os dias...
- Por quê? - achou melhor perguntar, com uma ponta de arrependimento, mas a conversa prosseguiu.
- Porque todos os dias ele chega em casa, deixa a roupa espalhada na cama, e sai pra beber. Se não é bar, é futebol, meu Deus, o que tanto eles gostam desse negócio de bola, gritaria, é muita ignorância, Deus o livre.
A outra, que não tinha um homem do lado, pensou com os seus botões. "Há quanto tempo meu Deus, eu não sei o que é uma ignorância de homem, do que é que ela está reclamando"? E a outra, descontrolada, emendou.
- Quando eu chego em casa, cansada, o traste ainda quer atenção, comidinha, roupinha passada e, huuum sabe mais o quê, né?
Ela podia imaginar, mas disfarçou, não podia declarar a sua grave falta genérica, então, fez que sim com a cabeça e pensou. "Mulher de sorte... Um homem pra azucrinar a vida. Eu nem me lembro disso."
Amélia sonhava com outros dias.
- Nossa, quando eu era solteira, eu arrasava, era tanto homem atrás de mim...
O diálogo agora era imaginário.
"Que louca! Do que ela reclama?"
- Eu tinha um a cada fim de semana, de tudo quanto é jeito, pobre, rico, estudado, grosseirão. Eu não tinha frescura, comigo era só festa.
"Eu vou matar essa mulher"!
- Mas quando eu casei...
A outra voltou a si e ficou curiosa.
- E aí? Ele era um cara legal?
- O último dos românticos. Me levava pra jantar, pra dançar, pra motel, viagenzinha... Samba, sombra e muita cerveja. Aí, entra na rotina, vem os filhos e o homem começou a beber, a ter amigos, coisa que antes não tinha...
- Mas ele é um bom homem?
- É bom, é honesto, bom pai, me ama, é fiel.
- Minha filha, não reclama não.
- Por quê?
- Porque podia ser bem diferente...
- Como?
- Você podia chegar em casa e não ter ninguém pra conversar e discutir o seu dia.
- Gostei disso.
- Você podia ter toda a liberdade do mundo.
- Gostei mais ainda.
- E podia não ter nem a cor de sexo por sei lá um ano.
- NÃO!
- Então, querida. Dá um jeitinho, vê se compra cerveja pra ele não ter que sair e aguenta o futebol porque afinal, o mundo não é perfeito. E o que são umas horinhas de memória das cavernas?
A outra calou, pensou, pensou e concluiu.
- Quer trocar de vida por um dia?
A plateia, que já prestava atenção no debate, entrometeu em coro.
- Troca menina.
- Que nada. Vai que o marido da outra gosta dessa.
- E vai que ela gosta da vida de solteira... Ferrou!
As duas calaram de novo. E Bianca resolveu proclarmar o fim da discussão.
- Homem é tudo igual, mesmo, mas o pior é que a gente gosta.
Depois de algum tempo, Amélia e Bianca se tornaram amigas e confidentes. A insatisfação delas já não era tão grande durante as horas de poker na casa de Amélia. Enquanto o marido assistia ao futebol na sala, as duas tricotavam no quarto com uma cervejinha gelada. As novas amigas de infância chegaram ao veredicto final da conversa.
- Nenguém está contente com o que se tem e a maior arte da vida é aproveitar o que se tem.
Elas estavam aproveitando. Afinal, como já dizia Rita Lee, amor e sexo são coisas diferentes e quando se pode juntar as duas, ninguém ousa desperdiçar.

sábado, 4 de setembro de 2010

Artemis e os segredos da floresta



Conta a mitologia, que a deusa Artemis nasceu com a missão de caçar (não vou me alongar contando a história do nascimento dela) e viver junto à natureza, e por isso, vive bem e muito bem ao ar livre, longe dos humanos, a ponto de fazer voto de castidade.

Desde o começo da Humanidade, as deusas e deuses deixaram mensagems em nós que continuam firmes e fortes no nosso inconsciente, e por isso, envoco essa "amazona" da mitologia grega - Diana para os romanos - nesse ensaio sobre a minha recente viagem à Amazônia. Calma, não me embrenhei na floresta como uma bandeirante, nem fui fazer escursão em nenhuma tribo indígena (adoraria ter essa força de espírito, mas ainda não tive), fui conhecer projetos interessantes de educação e produção agrícola em meio a um verde inebriante e vibrante de paz e vitalidade.

Vou fazer um parêntesis, se me perdoem. A reportagem, para mim, é uma arte. E essa arte passa por alguns estágios. Primeiro pelo contato com o novo sem olhar para ele com olhos estrangeiros, mas buscando as referëncias internas capazes de nos colocar no lugar do outro sem fazer diferenças - caso contrário (como, se for pensar nos mosquitos gigantescos ou se o copo d'água que te oferecem está limpo) o trabalho se transforma em um desfile de frescuras, preconceitos e clichês. Depois, a reportagem vai para o passo mais decisivo, que é a peneira que leva à escrita, e essa parte, do julgamento, é a mais perigosa, por isso, temos que estar abertos a um olhar humano, uma percepção instintiva e nos perguntar: qual a emoção desse momento? Qual a maior riqueza desta pessoa, deste lugar? O que eu, como ser humano igual a ele, pude aprender com esse povo que estava aqui quieto, sem pedir a minha presença, nem tão pouco a minha interferência?

Parêntesis feito, vou chegar à floresta (isso depois de muito chão). O Pará é terra de gente simples, muito simples. Não a ponto de passar fome, como no sertão nordestino, ou enfrentar a seca do semi-árido, simples pela condição de estar junto das coisas naturais e eu aprendi um monte com esse povo. O contato rural sempre me remeteu à infância, quando me jogava descalsa na terra batida da fazenda do meu pai, e podia vê-lo tirar leite da vaca, ou fazendo queijo, e quando chupava manga no pé e corria dos cachorros. Essas lembranças são adoráveis, não só pelo fato de estar rodeada das pessoas que mais amo, mas porque quando em contato com a terra, a gente volta a ser simples, a descomplicar a vida, a pensar como somos fúteis e cheios de paranóias, e isso renova a alma em busca do propósito único: ser feliz por completo. O povo da floresta respira ares de felicidade! Não estou brincando, nem sendo piegas. É a mais pura verdade. Mesmo com as dificuldades deles, como por exemplo, andar em estradas de chão
que demoram horas para se deslocar de um lugar a outro. Falta de eletricidade e alguns confortos como celular e internet.

Pude ver o brilho nos olhos de meninos, que falam errado, mas podem se expressar sem vergonha e sem a compulsão frenética dos celulares e computadores, apesar de já poderem ter contato com essas ferramentas da modernidade. Senti a pulsão de esperança de um agricultor que andava mal das pernas, mas que com uma ajuda mínima de umas vaquinhas, se encheu de alegria ao ver que em breve vai poder vender leite, além de produzir açaí para abastecer a capital com a tão cobiçada fruta, tão valorizada, que o faz sorrir de orelha a orelha. Esse homem só quer ter uma vida mais tranquila, e não sair do campo. Não imaginem um homem desdentado ou maltrapilho, imagine o seu pai, apenas sem cinto e com barba por fazer e sem cortar o cabelo: esse é o homem do campo.

Esse mesmo personagem me deixou ainda mais fascinada. Ele construiu uma casa sem nenhuma parede no meio da floresta. Tëm ideia disso? Dá para sentir o tamanho do prazer deste homem em estar junto à natureza? Não tem medo de cobras, lagartichas, besouros e outros bichos que nem tenho coragem de pensar. Ele é uma pessoa simples, que tem valores simples, e preserva a vitalidade que falta aos homens da cidade, preocupados com a conta bancária e a violência que veem na televisão. O homem do campo aproveita o que a terra oferece com gratidão, e retribui em forma de felicidade. Felicidade que ele passa para os filhos, todos formados - um deles é biólogo - o que gera a harmonia em família. Ali na roça, divórcios são raros e não há mulheres se queixando da falta de homem (isso tem de montão e todos querendo casamento). Voltando à casa sem paredes, dentro da minha perplexidade e encantamento, eu quis saber como eles conseguiam dormir com tudo aberto, se não sofriam com os mosquitos... O homem me disse que não havia mosquitos (brincadeira, ele estava era acostumado!), mas que o frio incomodava um pouco. Só isso. Incomodava um pouco, sem problemas e conflitos maiores. Admirei tanto essa família... o casal, orgulhoso de seus frutos, me serviu suco de maracujá e caju (todos naturais) e bolo de aipim feito pela esposa. Um espetáculo! Sai de lá feliz e grata, valorizando as coisas mais simples da vida. A minha casa, a minha família e tudo de lindo que posso conhecer e construir com simplicidade e amor.

Depois dessa experiência, ainda conheci o Parque Zoobotânico de Carajás, que abriga umas oncinhas, uns macacaquinhos e umas ararinhas maravilhosas, também conheci o Urubu-rei (ele é branco, sabiam?), coisas da Amazônia... Uma riqueza que não poderia explicar com palavras. Só mesmo conhecendo para ver de perto esse universo maravilhoso, pulsante de vida que é a floresta. Eu já estive em muitas zonas rurais, pus os pés em muitos jardins e abracei muitas árvores gigantes, mas nunca tinha sentido o que senti na Amazônia - a maior biodiversidade do planeta, uma cidade de seres distintos convivendo em harmonia, o que deixa o homem realmente no chinelo.

A densidade das copas, os sons, os cheiros, a energia, tudo é inigualável. No Parque há uma sala de coleções com simplesmente 2.500 indivíduos - insetos (lindos e assustadores), frutos, sementes e tipos de madeiras. É espécie que não acaba mais, coisa de maluco... Ártemis dentro de mim entrou em êxtase máximo. Mas, Atena falou mais alto, e voltei para a cidade. Não sem antes prometer à minha deusa selvagem que voltarei ao campo o mais breve possível...

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segunda-feira, 9 de agosto de 2010

O retrato da alma


Responda rápido: qual o melhor cartão de visitas, o mais eficaz produto de beleza, e o melhor cumprimento que existe? O olhar? Talvez. Mas acertou na mosca, quem disse o sorriso.



Muitos por aí defendem o tal "carão", a cara de paisagem, o riso forçado, a máscara... Mas façamos uma análise. Na sua memória afetiva você se lembra mais das pessoas sérias e discimuladas ou das alegres, aqueles engraçadinhos, ou até mesmo surtados? Para mim os tipos inesquecíveis e amigos adorados são os que me presenteiam com os seus sorrisos, seu estado de espirito, suas brincadeiras e até mesmo as sacanagens inofensivas.



Não acho que se deva perder o amigo em nome da boa piada. Estou defendendo e correndo atrás de companhias leves, que me façam abrir o sorrisão ou gargalhar, até a barriga doer...



Recentemente passei por uma experiência muito boa e delicada, ao mesmo tempo. Trabalhar na redação do Jornal do Brasil em decadência, prestes a deixar de exisitir. Mas a grande lição que tirei veio através das pessoas, profissionais de grande competência, colegas de uma espirituosidade marcante e que deixou saudades. Fazer piada da própria "desgraça" não é pra qualquer um!!! Na redação do JB tinha todo o tipo de humor, até o "negro", mas todos bem pra cima, apesar da circustãncia de quase desemprego. O meu vizinho Paulo Márcio, por exemploo, quase matou todos de rir quando in ventou uma fala para o espanhol Oscar, o homem que ganhou o primeiro transplante facial do mundo, e que segundo os médicos, foi muito bem sucedido. Para o meu colega, não foi bem assim... Imaginem um fanho com torcicolo, esse era o  resultado da plástica, segundo Paulo, com uma imitação hilária da desgraça humana. Só para explicar para os não-jornalistas: isso rola com pessoas em situação de isolamento forçado e com a corda no pescoço, como numa redação de jornal ou tevê.



Evelyn é um exemplo de sorriso que ilumina todo o ambiente. Sua espontaneidade e senso de humor vou levar pra secmpre na memória. Um rosto solar, que irradia beleza, sinceridade e por isso - e outros atributos mais - exala sensualidade. Uma repórter adorável de futuro brilhante. Raquel é outro sorriso contagiante, mais experiente e sarcástico, que despertava as mais idiotas brincadeiras masculinas. Todos, claro, queriam provocar o seu sorriso belíssimo e simpático. E o que dizer dos malandros, Cláudio e Fernando, disputando a nossa atenção com piadas, imitações de Silvio Santos e trocadilhos infames sobre as notícias massacrantes da TV. "O Macarrão gosta mesmo é de linguiça" (sobre o amigo do goleiro Bruno), ou "a voz do polvo é a voz de Deus" (sobre o vidente da Copa). E ainda, para divertir os trabalhadores do Mundial, a dupla, Paulo Roberto Falcão e Casa Grande cover fazendo comentários pra lá de irônicos sobre os comentaristas reais.



Enfim, poderia citar inúmeros sorrisos marcantes na minha vida. Todos me conquistaram de cara. Cláudia Tisato, a gargalhada pop. Filismino, uma pessoa sorriso. Thyana, um sorriso meigo. Nunca vou me esquecer de quando Bruno Pacheco me contou uma história muito doida de quando ele foi conhecer, bêbado, o pai de uma antiga namorada, horas de gargalhada e aquela sensação boa de que viver vale à pena. Isso porque o riso é a pura expressão de sinceridade e espontaneidade. Muito difícil alguém dar uma gargalhada forçada, a gente percebe. Também me lembro de uma estagiária que dizia que rir atraía os homens (durante a caça). Eu achava graça, mais do jeito que ela falava, do que para alcançar o tal objetivo. "Paula, vamos rir que atrai". E ela saia inventando um caso engraçado pra chamar a atenção dos marmanjos. Uma adorável maluca!!!



Enfim, a vida tem muita graça. Se não está encontrando motivos para sorrir, sorria mesmo assim, porque você vai atrair pessoas para uma conversa, um ombro amigo, ou um flerte, quem sabe? A simpatia é a melhor das qualidades. Eu adoraria ganhar esse trófeu, conquistado no cinema pela sorridente Sandra Bullock. Tá vendo, rende até Oscar!


Beijos solares para todos!!!