Toda Afrodite moderna tem sede de agito, ânsia por movimento, trabalho, correria, rotina. Eu mesma sempre achei que o certo é ocupar o máximo o tempo com coisas úteis: escrever, malhar, trabalhar, fazer um curso de Deus sabe o quê, e não parar... Acho que essa sociedade de consumo nos obriga a fazer mil coisas ao mesmo tempo porque se pararmos, vamos refletir, deixar para depois o que pode ser comprado hoje. E isso não interessa ao bolso de nenhum capitalista.
Mas ideologias à parte, resolvi deixar a culpa de lado e tirar um dia de folga no meio da semana. Isso mesmo, folga de tudo. Afazeres domésticos, preocupações, planos para o futuro, cursos, internet e até a academia. Não queria provar uma teoria, mas acabei comprovando que o ócio é mesmo uma bela inspiração para criarmos. Se não, vejamos....
Depois, resolvi ver o que estava rolando no Odeon. Sabe, era fim de tarde, o metrô estaria lotado, então... Lá vou eu me justificar! Achei que estaria passando o filme argentino "O Segredo dos seus olhos" - aquele que ganhou Oscar de melhor estrangeiro - mas não, era um brasileiro, meio argentino: "Histórias de Amor duram apenas 90 minutos". Isso porque o Odeon é igual loja popular em liquidação, se o filme que você quer ver estiver passando lá, corre, se não acontece o que aconteceu comigo... Mas tudo bem, gosto do Paulo Halm - que foi roteirista dos filmes da Sandra Werneck: "Pequeno Dicionário Amoroso" e "Amores possíveis" - então, comprei o ingresso. Mas havia duas horas de bobeira antes da próxima sessão. O ócio estava indo de vento em popa e ainda faltavam 40 minutos. Então, entrei no Odeon e saí vagando pelos corredores. Cheguei ao segundo andar e achei a mais nova locadora fo grupo Estação funcionando lá dentro. Fucei todas as prateleiras e descobri uma coleção de Bergman que faria meu amigo Thiago delirar! Fiquei imaginando qual dos filmes ele me aconselharia... "Sétimo Selo"? "Morangos Silvestres"? Ahh descobri também que os recentes "Julie e Júlia" e "Coco antes de Chanel" já saíram em DVD, vai aí a dica.
Entrei no café ao lado e o garçom demorava horrores para me atender. Mas fiquei quietinha, feliz, contemplando aquele momento. Do cardápio pedi croissant de queijo Brie com Damasco e me lembrei de Adriana, outra amiga e de sua companhia sempre radiante. Com essa sensação boa, surgiu uma poesia... Peguei um guardanapo e escrevi, chama-se Quietude e está bem aqui ao lado para dar o tom desse dia tão rico de nada e tudo ao mesmo tempo.
Finalmente entrei para o cinema. O filme, para a minha surpresa, é MUITO BOM. Comecei desconfiada, achando que Halm estava entregando o ouro de roteirista para o público na sua primeira experiência como diretor. Mas desencanei e curti a história, os enquadramentos maravilhosos, as situações ridículas que rodeam todos aqueles que amam, já amaram ou um dia amarão. Ahhhh, nesse filme as mulheres vão à forra com os machões, o personagem de Caio Blat sente no couro (para não dizer naquele lugar), o que nós fazemos às vezes para agradar um homem. Nem adianta que não vou contar, tem que ver o filme.
Bem, o meu dia de bobeira termina com saldo positivo: esta postagem, mais a poesia e as lembranças de um bom filme e uma boa companhia. Experimentem!!!
Beijos
















