sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

DIVAS DA MÚSICA OU DA PLÁSTICA?

A passagem da super linda Byoncé pelo Rio me chamou atenção e me fez pensar sobre as novas Divas da música pop. Eu que acompanho a carreira de algumas delas, me sinto capaz de ter uma visão crítica, sem querer tirar o brilho e o esforço das moças, fazendo apenas uma reflexão sobre o mercado da música e a manipulação da imagem da mulher moderna.


A toda-poderosa de não sei quantos Grammys, filmes e muita grana no bolso começou sua carreira como integrante de uma banda de meninas, a "Destiny's Child", se lembram? E Byoncé já se destacava não só pela voz macia e rouca, super afinada mas também, pelo trasei... digamos rebolado. Shakira, outra cantora-sensação também começou tímida, na Colômbia, de cabelões pretos e pele muto branca, e uma voz de arrebatar. Mas depois... Bem, a voz continua a mesma, mas os cabelos pretos e a menina ingênua, isso é passado. Onde quero chegar? Já repararam no que as musas da música têm que se sujeitar para chegar ao topo da mídia e do "sucesso"?


O figurino é sempre provocante, beirando ao vulgar (reparem no look de Byoncé nos shows e clipes). E a dança mais ainda, uma mistura de funk poposuda, com boquinha da garrafa, somada a caras e bocas de quem está tendo orgasmos constantes. A ideia clara é seduzir, vender música hipnotizando olhares de homens sonhadores e mulheres iludidas, que tentam se espelhar. Isso não é um discurso moralista, mas um olhar sobre algo que se tornou comum hoje em dia, a sexualização da mulher. Hoje só se alcança os ouvidos das massas se a cantora for gostosa.


Por exemplo, a cantora Sade - que eu amo, e tem uma voz inigualável, mas é discreta e sensual à sua maneira - não arrasta milhares ao Maracanã como Madonna, campeã em tirar a roupa. Entendem? Colocando no nivel das mortais, essa imagem da mulher "bem-sucedida" - uma aliança do poder sexual, com o econômico e social - está deixando as meninas cada vez mais masculinas. Não ao se vestir, mas ao falar, andar, se comportar e até na maneira de transar. Estão quase todas - principalmente as mais jovens - falando como homens: que "pegam" tantos, que fazem e acontecem na cama, deixando até os marmanjos constrangidos. Também bebem como homens e saem pregando que preferem os bad boys. No final, ao contrário das Divas que alcançaram um nível de riqueza material fazendo cena de "pegadoras", as meninas super-poderosas do cotidiano, ficam sozinhas.

Sei que são coisas da indústria, do mercado competitivo, mas também tem a ver com a personalidade e o caminho que cada pessoa escolhe. Eu acho difícil ver Marisa Monte se sexualizar para vender discos. Já outras seguem esse caminho e perdem a identidade, se deixando levar pela cabeça dos empresários, como Mariah Carey, Britney Spears e tantas outras.

Então, nós mulheres que assim como as musas pop, também queremos ser bem-sucedidas em nossas carreiras, na vida amorosa e na sociedade, vamos ter que mostrar o corpo ou a nossa verdadeira personalidade? Penso que se todas decidirem pela imagem das estrelas, vamos ter um futuro confuso, de pessoas perdidas e infelizes em busca de riqueza. Mas se optarmos pela liberdade de mostrar nossa feminilidade de forma mais natural e singular, acho que nós poderemos liderar o mundo.


Cuidem-se! Beijos.






sábado, 30 de janeiro de 2010

MÁSCARAS E FANTASIAS: VIVA O CARNAVAL DE TODO O DIA!


Gente, carnaval é a festa preferida dos brasileiros e eu, particularmente, adoro esse clima que deixa o Rio ainda mais irreverente, caloroso e alegre. Tem muita gente que gosta da "pegação" do carnaval - afinal, é a festa da carne - eu, que já passei dessa fase, acho que é a festa dos amigos, da galera, da turma... Já pensou ir a um bloco de rua sozinho? Ou ao desfile no sambódromo sem uma companhia agradável para cantar, sambar e tirar muitas fotos? Não, não teria a menor graça. No carnaval, eu aproveito para reforçar os laços com pessoas vibrantes, animadas (sem necessidade de excessos), que me acompanhem com o maior pique e topem todas as paradas. É, porque carnaval não é brincadeira de criança, não. Tem um sol de rachar, gente se acotovelando, empurra-empurra, os chatos pegajosos que querem te agarrar e os malas, que insistem para que você "tome mais uma". Tem que estar disposto a curtir e a sair fora também quando chega a hora H. E quando tem briga? Tem que estar junto pra sair de fininho ou correr mesmo o mais rápido possível. Eu posso dizer que um bom carnaval é sinônimo de boa companhia.


Outro ponto forte do carnaval é a fantasia... Não é uma delícia sair fantasiado de outra pessoa, totalmente diferente? Ou nem tão diferente assim, mas por para fora aquele outro alguém que insiste em sair, mas a gente abafa o resto do ano. Então, quando é carnaval todos os bichos se soltam! Alguns são bravos, outros delicados - cada um com a sua catarse momentânea. Tem os personagens de conto de fadas, das histórias em quadrinhos, do imaginário popular - a melindrosa, o pirata, o presidiário, o palhaço, a múmia. Tem os animais - oncinha, gatinha, coelhinha, borboletinha. Eu adoro as do universo infantil, a Branca de Neve, por exemplo - trauma por não ter tido uma festa temática quando criança, paciência. Mas no carnaval, essa fantasia vem acompanhada, de preferência, por um príncipe bem alegre, companheiro, leal, que curte junto, se diverte e vai pra casa junto. Essas fantasias nossas de cada dia podiam ser reforçadas ao longo do ano, não acham? Por que será que só no carnaval a gente acredita nessas coisas? Isso não podia ser constante?


As máscaras de carnaval começaram essa tradição de deixar de ser quem nós somos, pelo menos uma vez no ano. Foi no carnaval de Veneza, que segundo a história, elas foram criadas para que os nobres pudesse se infiltrar junto aos plebeus e ganhar umas mocinhas sem que suas esposas descobrissem. Isso foi lá na Idade Média. Hoje, as máscaras são objetos belíssimos que enfeitam o rosto e continuam povoando a nossa imaginação. É, porque quando vestimos um desses acessórios carnavalescos purpurinados e glamourizados, abrem-se, imediatamente, as portas para um universo de ilusões. Assumimos uma nova personalidade, adotamos um comportamente ou mais ousado, ou mais feminino, ou mais masculino, ou mais romântico, ou mais sensual. Liberamos as amarras do constrangimento e saímos mostrando ao mundo um lado mais criativo - o positivo da história - ou mais agressivo - o negativo de cada um. Bem, podemos escolher qual máscara usar, isso vai da necessidade ou da empolgação do momento.

Agora, e com relação às máscaras do dia-a-dia? Já parou para refletir sobre quantas delas a gente adota para lidar com as situações do cotidiano? A de boazinha para os chefes. A de antenada para entrar nos círculos sociais. A de animada para aquela turma do "oba oba, vamos beber que está tudo bem". A do entendedor de cinema, para os cinéfilos. E por aí, vai... Claro que tem gente que adota o tipo "eu sou eu mesmo e só faço o que quero ", acho isso muito saudável, desde que essa pessoa seja generosa e mostre ao mundo porque consegue ser diferente, com gentileza e sensibilidade. Não estou defendendo e nem condenando as máscaras. Elas são necessárias para a nossa evolução enquanto socidade. O importante é saber quando deixá-las de lado, quando assumir a nossa própria essência, ao invés de ficar fazendo tipo para agradar o outro. Acho que tem que diminuir o seu uso e retirar a máscara quando todos querem que você fique e você quer ir embora. Ou simplesmente dizer "não, muito obrigada", quando o seu grupo social te oferece um mundo de falsa felicidade.


Então, nesse carnaval, eu vou brincar de sonhar com um mundo melhor... Vou me fantasiar de alegria, de sinceridade, de beleza e de sabedoria. Vou beber com moderação e fazer amigos que me respeitem e gostem da minha companhia do jeito que sou. Quem quiser seguir o meu bloco, será um prazer!!!

Nesse post, eu coloquei fotos de pessoas queridas, e a minha própria, para ilustrar a alegria e a felicidade gerada por uma festa de carnaval com máscaras, fantasias, mas sem excessos.

Divirtam-se e juízo! Beijos.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

ROMANCE NO CINEMA OU CRÔNICA DO AMOR PERDIDO


Meninas e meninos, respondam rápido: quem não gosta de uma boa história de amor? Quem assume que gosta ou pelo menos uma vez na vida já apreciou algum romance no cinema ou na literatura vai se identificar com o assunto. Quem respondeu que não, talvez possa mudar de opinião aqui mesmo, para que garantir o futuro da Humanidade!!! Eu sou fã do gênero, sem preconceitos, e vejo sempre que posso. Claro, tento escolher as histórias mais inteligentes ou ousadas, só de vez em quando encaro uma dessas comédias desconcertantes que Hollywood adora e me divirto com o ridículo mesmo.

Então, quero falar agora de dois filmes em particular, que acabo de assistir e que valem à pena o comentário e uma comparação inevitável. O primeiro é uma comediazinha despretensiosa, mas charmosa, que tem a presença simpática de Nia Vardalos - aquela do Casamento Grego. O mocinho é um gato que toda mãe queria como genro, John Corbett - que fez o Aidan em Sex and the City. Lembraram?? Aquele bom moço dispensado por Carry Bradshaw no seriado... Situados??? Então, o filme é "Eu odeio dia dos Namorados", pelo título a gente já pensa: "até parece!!!" E é isso mesmo. O enredo é simplérrimo, mas tem um humor discontraído e leve. A mocinha, que faz todo mundo feliz, tem regras estabelecidas sobre os encontros amorosos, bastam cinco para dispensar o cara, nada de esperar ligação no dia seguinte, frio na barriga, pânico do sábado à noite. Legal, né? Mentira. Depois que ela conhece o bonitão que eu acabei de citar, tudo se complica e ela descobre que está apaixonada. Claro que não vou entregar o final, quem quiser corre para a locadora porque é legal.

O segundo filme é bem melhor, mais denso e sensível. Claro que temos que perdoar Nia Vardalos, porque comédia é sempre mais difícil do que drama, ainda mais quando temos uma senhora dupla de atores em ação. Estamos falando de Dustin Hoffman e Emma Thompson, em "Tinha que ser você". Esse é um daqueles filmes que pensamos de início, o que será que esses dois estão fazendo nessa história simples, cotidiana, sobre a solidão e a maturidade? É exatamente isso que trata o enredo, muito bem escrito e com performances adoráveis. Pela primeira vez vi Emma sem nenhuma pretensão, atuando com tanta entrega numa personagem corriqueira, introspecta, mas ao mesmo tempo tão humana. E Dustin vivendo um cara que não se encaixa na própria vida, que não é bom nem mau, que poderia ser qualquer cara na faixa dos sessenta - o meu pai, o seu. O diferencial aqui é a verdade dos atores que se derramam na pele de duas pessoas solitárias e um tanto quanto tristes tentando agarrar a última oportunidade da vida no amor. Um belo filme com dois belos atores.

Agora sobre os filmes de romance em geral tenho que admitir que as histórias estão muito reais. Nada de conto de fadas mais. O que é bom porque podemos nos enchergar e nos reconhecer nos personagens, rir de nós mesmos ou chorar... Acho que é terapêutico de certa forma. Demos adeus a Julia Roberts e seu príncipe rico, salvador, de "Uma Linda Mulher" e ao professor de dança bonitão que encantada a mocinha ingênua de "Dirty Dancing" - sucessos dos anos oitenta. Vivemos um novo século, com novas e velhas questões jogadas direto na nossa cara. O velho sonho de encontrar alguém especial e mergulhar no amor ainda existe. Uffa! Mas com ele vem o pesadelo do medo da rejeição, do sofrimento, do desencontro, da frustração, da separação. Essa é a tônica da maioria das histórias de amor modernas e se fizermos uma autoanálise (lá vem aquela chata...) veremos que todos nós já vivemos uma ou duas ou trezentas desilusões amorosas. E dá um certo desânimo toda vez que recomeçamos o movimento de conhecer alguém, se apaixonar e tentar descobrir se o romance engata ou não. Mas, assim como nos bons filmes de amor, na vida real, em algum lugar da nossa alma, optamos pelo mergulho no escuro. E saltamos de novo para o amor.

Então, queridos leitores. Em 2010, vamos fazer um brinde ao mais velho e maravilhoso sentimento da vida. Ao amor!!! Que ele aconteça na ficção e na vida real.







quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

FELIZ NATAL EM 2010!





Queridos leitores,



Natal é o momento do ano em que lembramos e reverenciamos o nascimento do Filho de Deus, que veio ao mundo com a missão de redimir os pecados humanos. Mas, na verdade, reverenciamos a Deus, que está presente em todas as coisas, mas anda meio esquecido no corre corre da vida.



Nesta época, nos lembramos da compaixão, da solidariedade, da gratidão, do amor altruísta. Enfim, nos lembramos da partícula Divina que habita todos os seres do Planeta.




Deus está em tudo: no amanhecer, no som dos pássaros em revoada, na beleza refrescante das flores, no trovão, na tempestade, no choro da criança, no sorriso, na lágrima, no sucesso, na queda, no dia, na noite, no canto das cigarras, na palavra de paz, no gesto carinhoso, no toque, na cor...




E se Deus está em tudo, não deveríamos nos lembrar Dele o ano todo, a todo momento? Não deveríamos nos lembrar Dele quando algo dá "errado" e agradecer o que há por traz disso, o aprimoramento, ao invés de automaticamente reclamar?



Quanto mais os anos passam, descubro que a beleza da vida está em reconhecer o amor Divino em todos os momentos. E se retrubuírmos esse amor fazendo o nosso semelhante feliz, pronto, estaremos sendo Divinos também.



Então, desejo a todos vocês, que vivam o Natal intensamente todos os dias de 2010. Tenho certeza de que a felicidade resulta desta experiência de re-nascimento como seres humanos-divinos.


Para as mulheres não poderia faltar a dica afrodisíaca de fim de ano : façam seus parceiros felizes. Sejam doces, escutem com o coração cada palavra, entrem em contato com o seu feminino, surpreendam com um gesto de amor inesperado, de preferência não comprado na loja, mas um presente especial, íntimo, cúmplice. Pode ser uma palavra, um cartão, uma comida, uma dança... E para quem ainda não encontrou o seu par, espere, tudo tem o tempo certo. Não saia por aí se divertindo com os "errados" porque isso vai te distanciar do "certo". Concentre-se no que você quer, diga bem forte ao universo, que você é merece ser feliz, abra-se, quem sabe no reveillón?



Obrigada por prestigiarem esse trabalho. Desejo que 2010 seja iluminado de ideias, rico de palavras de incentivo, cheio de realizações criativas, transbordante de amor e que esse sentimento sensibilize a Humanidade.




Diários de Afrodites - o livro vem aí. Aguardem!!! Beijos.

sábado, 28 de novembro de 2009

RETRO 2009 - SHOWS





















Fim de ano. Começo de revisão. O que realizamos, o que deixamos de realizar. O que temos, obrigatoriamente, que deixar para o próximo ano. As boas decisões. Os aprendizados. Também as repetições!!! Bem, tudo muito profundo e complexo, né? Deixamos essa parte para os terapeutas, astrólogos e tarólogos. Até porque muita gente ansiosa quer saber, no papel, onde a vida emperra e onde ainda dá tempo de mudar. Acho tudo muito válido, mas vamos deixar para outro momento.

Todo jornalista adora uma retrospectiva. No trabalho, eu confesso que não tenho muito estímulo para olhar para trás, isso porque o jornalismo está muito apegado aos problemas. Desculpem, meus colegas, mas jornalista virou policial, investigador, juiz, professor. Tem, ou pensa que tem, conhecimento adquirido para analisar as mazelas da vida. E tudo isso, agora sem diploma! Eu prefiro olhar para o que de bom passou, ou como num bolero, olhar para as chegadas e partidas da vida em contemplação, sem desespero, dançando...


Justiça seja feita, esse ano também tive a oportunidade de apreciar- e muito graças ao meu trabalho como jornalista - vários espetáculos musicais, de variados gêneros e ritmos. A qualidade da música brasileira é algo assim que não dá para mensurar com palavras, basta comprar um CD, DVD ou ir a um show de nossos artistas mais consagrados, que todos vão entender o que estou falando. Eu adoro show, depois, como num ritual de fidelidade, geralmente compro o CD do artista para ficar com aquela melodia boa por muito tempo, até decorar as músicas e cansar os vizinhos...

Vamos à retrospectiva. Vou começar pelo primeiro do ano, Maria Rita. Admito que no início tinha um pouco de cisma com ela, por ser a cópia da mãe e pelo repertório meio down, dor de cotovelo, e mais uma vez, muito parecido com o de sua mãe. Mesmo assim, comprei seus dois discos e o segundo, de samba, é muito melhor do que o primeiro, então quando ela deu pinta na Tijuca, resolvi conferir pessoalmente. Minha primeira impressão foi por terra. Ela é uma artista esforçada, além da voz abençoada por Deus e a genética, sua presença de palco é adorável - não para de dançar um segundo - e generosa com o público, confessou "estava precisando de um show animado assim". Freud explica!

O segundo show foi uma daquelas repetições que a gente não se cansa. Lulu Santos, também aqui na Tijuca. Fico impressionada com Lulu, para mim ele é a nossa Madonna, consegue se renovar a cada show, continua com pique total com mais de sessenta, tem aquela voz doce e forte e tem um tesão de palco incrível. Nota 1000 sempre, em qualquer lugar e época do ano.

Depois veio uma grata surpresa: Vanessa da Mata. Eu não tinha CD, só conhecia suas músicas do rádio e das novelas, achava bom, mas não pudia imaginar que estava diante de uma senhora cantora e compositora. Aquele jeitinho brejeiro, meigo e aquela voz suavemente rouca no palco se unem a um vigor, uma força incrível, e eu tiro o chapéu para essa matogrossense. Suas letras são realmente contemporâneas e com uma dose inteligente de humor: "quando um homem tem uma mangueira no quintal, ele não é goiaba, deixe ele te mostrar, bom dia, boa tarde, no seu pomar..." Muito bom. Ela também faz letras de conscientização ambiental, tudo sem clichês ou tendência mercadológica. Comprei o CD e recomendo.


Outro repeteco do ano, e esse também não dá pra deixar passar, foi o grande encontro pela metade: Elba Ramalho e Geraldo Azevedo. Mas o 'pela metade' não quer dizer que a qualidade seja pior, acho até que diante desses dois, Zé Ramalho e Alceu Valença ficam demais. Elba é irradiante, madura, linda, exuberante, fica tão à vontade no palco que dá vontade de subir e dar um abraço, tirar fotos e dizer: "como eu te admiro, mulher!". O elogio seria para a artista e a mulher. Já viram o namorado dela? Sem comentários. Geraldinho é fofo e tem músicas tão lindas, me lembram meus tempos de Minas e me fazem chorar (como num bolero). Adoro Dia Branco, sei lá porque, acho que tem a ver com meus antepassados.

Os dois melhores deixei por último. Não consigo saber qual é melhor, mas vale a competição. Se alguém quiser me dá uma mão. Paulinho da Viola e Ney Matogrosso. Duro não? Paulinho da Viola é completo. Caetano e Chico que me perdoem, mas Paulinho tem tudo como artista: letras bonitas, românticas, melodias harmoniosas, atemporalidade, sensibilidade, e por aí vai. Mas mais do que isso, no fim do show o que se comenta não é o seu repertório belíssimo. Eu tenho seu último CD ao vivo que é primoroso. Mas o que se comenta é a sua generosidade e simplicidade. Um ser humano exemplar aliado à arte, dá Paulinho da Viola, inesquecível.
Ney Matogrosso é o homem mais sexy do planeta, pelo menos no palco. Seu show vale mais pela performance do que o repertório. Não que suas músicas sejam ruins, são ótimas, mas diante da presença do artista, elas ficam em segundo plano. Ney rebola, todo mundo sabe disso, mas ele não rebola de qualquer jeito, ele rebola te seduzindo... É incrível, ele deixa homens e mulheres agitados nas cadeiras!!! E sua roupa de paetês prateadas, em um determinado ponto do show, dão lugar a um espontâneo nu artísitico - ou quase isso - quando Ney tira tudo e fica só de tanguinha fio dental. Seu peitoral e sua atitude mostram que sensualidade está na autoestima, e não nos aparelhos das academias. Nenhum marombado supera Ney no questio 'de bem com o seu corpo e de bem com a vida'. Adorei.
Bem, esses foram os shows possíveis. Em 2010, quero ver os artistas que perdi neste ano. Para citar alguns: Maria Bethânia, Seu Jorge, Ivete Sangalo, Erasmo Carlos, quem sabe realizar o sonho de ver Chico Buarque... Aposto que serão muitas emoções, com ou sem Roberto.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

ENTRE A CRUZ E A ERVA



Carla estava atrasada para outra noitada no meio da semana. Seu dia tinha sido uma loucura, telefones tocando, bolsa de valores caindo, dólar subindo e sua vida amorosa um turbilhão de beijos e despedidas. Ela queria mais. Naquela noite, estava disposta a tudo, absolutamente tudo, para conseguir um segundo encontro e ir além das promessas feitas no dia anterior, sempre regadas a cerveja e cigarro. No alto de seus vinte e nove anos, um relacionamento sério era questão de vida ou morte, estava cansada da vida de solteira, da liberdade desenfreada e falando claramente, para se ter bom sexo era preciso intimidade e isso ela não conseguiria em uma única noite. A questão: falta de sexo era urgente.
- Quem disse que mulher também não sobe pelas paredes?
Ela falava sempre e enrubescia as amigas mais tímidas. Então, naquela quarta-feira, ela abriu o armário e lá estavam eles, os vestidos provocantes, olhando para ela e convidando sua dona para usá-las, ousá-las e arrasar. Decidiu pelo pretinho de cetim, frente única, curtíssimo, bem sexy. Não deu tempo para fazer escova nos longos cabelos pretos, mas sem escolhas, optou pelo look desarrumado, bem dentro da moda e extremamente sensual. Era a própria imagem da Afrodite moderna, a deusa do sexo, da paixão, da completa realização amorosa, mas nisso a deusa grega era muito mais feliz. A maquiagem realçava os olhos negros e os cílios grandes, na boca só brilho, estava linda, seria fatal. Mas queria encontrar aquilo que estava justamente em baixa na temporada de caça: amor.
- Acho que os gregos erraram quando colocaram amor e sexo numa única deusa.
(...)
PERGUNTA DA SEMANA
Meus queridos leitores, resolvi compartilhar apenas um pedacinho do conto que é longo, para não cansar ninguém e também deixar uma curiosidade boa, que terminará com a publicação do livro. Assim que souber a data divido com vocês com muita alegria.
Então deixo umas perguntas para uma reflexão ou um worshop, se alguém quiser experimentar para responder. Vamos lá:
Sexo e amor são coisas diferentes? Como é a sensação que fica depois de fazer sexo com alguém que não amamos?
Como é a sensação de fazer sexo com alguém que nos entregamos de corpo e alma?
Será que estamos nos enganando, procurando sexo para substituir o amor ?
Quem puder responda, vamos todos aprender um pouquinho.
Beijos no coração.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A doce Primavera e as flores que não desabrocharam


Ahh a Primavera! A estação mais bela, mais perfumada, mais colorida do ano chegou e com ela lembranças muito fortes e um tanto quanto doidas relacionadas às flores. Quero deixar bem claro que adoro flores, dar e receber. Mas em se tratando de ganhar flores de homem e a expectativa de um romance, às vezes o desfecho está mais para filme noir do que final de novela.

Romântica que sou desde embriãozinho na barriga de mamy sempre considerei receber flores a mais maravilhosa expressão do amor de um homem. Via nos filmes, livros e folhetins, um buquê de rosas significava que a mocinha estava bem na fita e o cara estava de quatro por ela. Ok, peguei essa informação e guardei na minha pasta da memória especialmente criada para assuntos de romance. Junto com os arranjos de flores estavam os cartões, cartas, presentinhos fofos, ursinhos de pelúcia e almofadinhas de coração. Mas confesso que de toda essa lista, as flores estavam no topo da preferência. Cresci e fui arranjando as minhas confusões amorosas. Quando tinha uns 20 e poucos comecei a namorar um cara muito lindinho, com cara de intelectual, mas todo mundo achava que fosse gay. Uma grande amiga, que era amiga dele e que me apresentou o cara, me alertava: "ele só anda com mulher e nunca teve uma namorada... E o pior, tem um melhor amigo inseparável." Guardei a informação, mas resolvi apurar pessoalmente. Olha, tinha toda a chance, porque perto dele eu me sentia como se estivesse com uma grande amiga de infância, sabe... Falávamos de tudo, me sentia super à vontade, mas na hora do beijo... A coisa não rolava legal. Mas o cara se apaixonou por mim, olha o disperdício, fazer o quê? E eu fui levando, só pelo romantismo mesmo. E não é que no dia dos namorados, a surpresa. Recebi o primeiro buquê de rosas vermelhas da minha vida. Era lindo, mas não me causava aquela emoção da novela. Resultado, acabei terminando o namoro e parti o coração do menino. Ele chorava copiosamente e eu nem tinha como explicar o porquê.

Outra situação para lá de embaraçosa foi quando resolvi pesquisar namorado na internet. A vida estava tão sem graça, nenhum cara bacana na vida real, fui me enveredar pela virtual. E conheci um cara de meia idade, que não era bonito, mas muito gentil e simpático e naquele sábado à noite sem ter o que fazer, resolvi marcar um cineminha. Chegando lá, de longe, avistei o pretendente. Nossa, que decepção! O cara não tinha nada a ver comigo, podia ser um amigo do meu pai e eu não tive a menor vontade de me aproximar. Cheguei em casa e deixei um recado no celular dele dizendo que não pude ir ao encontro porque tinha passado mal (ô mentirinha esfarrapada). O homem ficou me ligando durante um tempo e eu dava todo o tipo de desculpa possível. Até que pedi para ele não me ligar mais porque ainda gostava do meu ex. Ele não se convenceu, achou que ia me conquistar de qualquer maneira e durante a semana seguinte, que era o meu aniversário, ele mandou cinco buquês de rosas, um para cada dia da semana, para o meu trabalho. Que loucura! Aquelas flores maravilhosas, tanto empenho e no meu rosto só arrependimento... Pensei: nunca mais entro na internet e nunca mais conto uma mentirinha social.

Mais recentemente descobri que fazer arranjos florais é um barato! Deixa a vida mais harmonizada, eu troco energia com elas e me sinto mais feliz. A casa fica linda e todo mundo gosta de receber uma florzinha, ainda mais quando ela está exuberante num vaso... As flores viraram minhas amigas e sempre que posso dou flores para amigos, parentes e colegas de trabalho. E uma experiência que nunca vou esquecer é quando quis conquistar um cara lindo e resolvi dar flores para ele no dia do seu aniversário. O arranjo causou um impacto... Infelizmente, não rolou nada no sentido amoroso. Mas ficamos amigos, seu rosto se ilumina quando me vê e a família dele me adora.

É, acho que é essa mesma a missão das flores, alegrar a vida, causar bons momentos, nem que sejam apenas para uma recordação. Agora, meus caros leitores, em certos momentos não tem nada igual mesmo... Para mim, as flores mais inesquecíveis que recebi foram do meu ex-marido no dia do nosso casamento. Ele me presenteou pessoalmente enquanto eu, estressada, começava a me arrumar e me lembro com muito carinho de como aquele gesto me fez feliz.