domingo, 24 de março de 2013

Conexões do Universo


Em tempos de redes sociais, internet acessível em todo canto, a informação se popularizou e ganhou uma dimensão absurdamente grande. E por informação, eu quero dizer, os dados, as estatísticas, previsões meteorológicas, estudos científicos e por aí vai... Todos nós nos viciamos nessas verdade constituídas pelo pensamento coletivo e, com isso, deixamos de prestar atenção nas informações internas, nas sensações, nas percepções e intuições que tanto nos guiam pela vida a fora.

Tão importante quanto ouvir ao noticiário, e as notícias do conclave do Papa ou a vitória do time do coração, ou ainda da cassação do mandato de um político corrupto (amém, assim seja) é ouvir a nossa voz interna. Aquela que diz assim: "acho que hoje não deveria sair de casa", ou ainda "acho que deveria dar uma chance para esta nova amizade" ou ainda, "essa parceria pode me trazer problemas"... Antigamente, a gente ouvia e muito as nossas avós e mães fazerem previsões, todas baseadas na intuição, e a gente seguia, por respeito aos mais velhos. "Menina, leva um casaquinho porque o tempo vai mudar..." Os mais rebeldes protestavam e se davam mal. Mas, no geral, os conselhos vindos de pessoas sábias eram muito valorizados.

Crescemos e, muitas vezes não contamos mais com essas pessoas especiais perto de nós. E agora, o que fazer? Em quem confiar? Olha, pouquíssimas vezes os meteorologistas acertaram cem por cento a previsão do tempo. E raríssimas vezes, vamos usar a medicina ou a matemática e até mesmos nos preceitos religiosos para saber qual a melhor decisão, qual caminho devemos escolher, com que amigos podemos contar... Para isso, contamos apenas com a nossa consciência. Mas, ela anda muito nublada pelos pensamentos racionais, pelas cobranças e padrões da sociedade.

Perdemos a nossa percepção de indivíduos únicos e vivemos correndo atrás de sonhos e expectativas que nos fazem iguais a todos. Isso gera muito sofrimento, que vem sendo refletido em doenças modernas, como depressão, síndrome do pânico e outros transtornos emocionais tão comuns nos dias de hoje. A busca pela felicidade externamente a nós seria a maior causa dessa desconexão, e a nossa sabedoria interna, o nosso terceiro olho, a nossa sensibilidade estão sendo afetados pela mente que insiste em nos fazer correr atrás de sucesso, estabilidade e o amor idealizado. Tudo isso gera a perda de energia e o distanciamento da nossa verdadeira felicidade. Quem pode saber o que te faz feliz é você mesmo, ninguém pode definir isso por nós...

As religiões vêm se dedicando a tentar alterar esse estado de coisas, mas ela também tende a cair na ditadura da mente, e o faz por via do convencimento e não da vontade genuína e singular de serem felizes. Mas, felicidade é um estado inerente a todos os seres. Alguém já viu um sapo triste? Ou uma flor chorosa? Tudo bem, eles não vieram dotados de sentimentos, mas mesmo assim podemos pegá-los como exemplo, porque todos somos parte da mesma natureza. O motivo pelo qual nos entristecemos com frequência é a falta de conexão com a nossa própria essência, o nosso valor mais vital e saudável, a nossa razão individual de existirmos. E, para deixar esse estado in natura é preciso acalmar a mente, domesticá-la como um cão selvagem. Dizer para ela, todos os dias: "você não me domina". E deixar, lentamente, que o coração ganhe o seu lugar de direito. A mente serve para lidarmos com fatos e decisões práticas, e o coração serve para nos direcionar o caminho. Colocando tudo no lugar devido, não vamos boicotar a felicidade que já existe latente no nosso interior. O resto são só regras que desenvolvemos para tentar viver em sociedade. Não é crucial e podem ser quebradas.

A melhor forma de nos mantermos saudáveis é nos afastando do turbilhão dos pensamentos destrutivos e dar uma chance ao terceiro olho - aquele que abre um canal direto do universo e com o coração. E assim, não vamos errar tanto. Tudo o que o universo nos oferece é bom, basta saber para que serve cada evento, cada pessoa, cada estado de espírito. Alguns, o coração deixa ficar, outros servem apenas para nos despedir e seguir adiante com mais experiência. Meditação e autoconhecimento são a chave... E boa viagem!

Opte por aquilo que faz o seu coração vibrar...
Apesar de todas as consequências.
Osho

sábado, 10 de novembro de 2012

O mundo vai acabar... E o coração?

Adoraria falar sobre o novo filme do 007 e as grandes habilidades do protagonista - interpretado pelo espetacular Daniel Craig - entre elas a de nos fazer suspirar, mas não é sobre isso o tema desta crônica, infelizmente... Vai ficar para a próxima, porque ainda não vi e para falar bem a verdade, não sou muito fã da série. Mas, sou fã de carteirinha de Adele e a música do filme para mim dá um show à parte e me inspirou uma reflexão.
"Na queda do céu, é onde nós começamos
A milhares de quilômetros e pólos de distância
Onde mundos colidem e dias são escuros
Você pode ter o meu telefone
Você pode saber meu nome
Mas você nunca terá o meu coração"
Então... Eu sei que todos evitam este tema. No facebook, amor parece que não tem muitas curtidas, e falar sobre coração é sempre delicado. Todo mundo gosta de falar de futebol, praia, amigos, cerveja, política, religião, o tempo, a curtição, mas o tal do órgão vital, isso só lembram no dia dos namorados, e olhe lá!

Nasci peixes de águas profundas, por isso não consigo ignorar o que acontece nos tempos atuais. Apostaria muito dinheiro em dizer que a maioria dos leitores, principalmente as leitoras, já sofreram por não entender a falta de disponibilidade para as coisas ligadas ao coração. Amor virou brega, romantismo virou sacal, falar de sentimento é fora de moda. Esta semana a música de Roberto Carlos que embala a novela das nove, que fala de um cara apaixonado, foi apedrejada em praça pública e, pasmem, pelas mulheres. Parece que o legal é o sexo, as sensações, a sedução, os instintos. Mas quanto tempo dura o prazer de um orgasmo se compararmos à sensação de um beijo gostoso? Sexo não é só orgasmo, os tantras já diriam, mas a obsessão por atingi-lo se tornou tão comum que nos leva a pensar no que é realmente importante, o que preenche mais as memórias e a saúde emocional... Quando lembramos de alguém que nos foi muito importante lembramos do tesão ou do toque? Da língua ou do texto?  Do tamanho do órgão sexual, ou do abraço? 

Acho que se o coração tivesse voz, ele estar se sentindo traído por nós, seus usuários. Porque, além de o mal tratarmos fisicamente, estamos ignorando suas necessidades. E trocando isso tudo por drogas, remédios, anfetaminas, fantasias, paranóias e por aí vai... Não seria muito mais fácil segui-lo, celebrar os encontros afortunados e deixá-lo comandar nossas escolhas e ações através de suas batidas fortes e acertivas? O coração nunca está errado. Ele pode às vezes exagerar na dose e a razão tem que entrar para fazer uma certa mediação, mas raramente ele erra. E, quando isso acontece, temos completa conivência. Mesmo assim, eu diria sem nenhuma dúvida, que mesmo quando erra, ele acerta porque o que vem do coração é sempre confortável, mesmo que por tempo limitado. 

E, voltando para a letra de Skyfall. O mundo pode acabar, o céu desabar e tem muita gente com medo de entregar o coração. E, como diriam as nossas avós, quem não arrisca não petisca e quem não morre não vê Deus, então triste de quem prefere as sensações passageiras ao caminho afetuoso do coração. Porque, se por acado o céu desabar mesmo, tchau, tchau amor. E, se o coração partir, ele se reconstrói novamente, sem grande esforço. É só deixá-lo bater, quietinho e faceiro, que ele vai de novo ser o que lhe foi destinado:  a fonte de vida em qualquer situação. 

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Encontros e desencontros - pólos opostos da mesma moeda



Qual a fórmula do encontro perfeito? Isso existe? A expressão "ele/ ela tem tudo a ver comigo" seria necessariamente um prenúncio de que a relação vai ser duradoura? Cada vez mais vemos casais "parecidos" se relacionando e, muitas vezes, casando e construindo família. Mas, este "parecido" na verdade, seria superficial. Numa sociedade em que se valoriza mais as aparências, pombinhos que têm a mesma profissão, frequentam os mesmos lugares, assistem aos mesmos tipos de filmes e cultivam amigos em comum, são os candidatos ao pódio da longevidade, mas eu tenho uma outra teoria. Acho que essas afinidades podem contribuir e muito para o bom entendimento e fluir da relação, mas o amor é outra coisa... Vamos fazer uma viagem no tempo.

No tempos dos meus avós, o relacionamento era feito de paixão e posse. Nos bom e mau sentido das palavras. A paixão levava ao gostar cegamente na pessoa e a posse era o sentido da busca por estabilidade material e emocional. Paixões e posses podiam levar a atitudes extremas, de ciúmes, de loucuras e emoções descontroladas. Meus avós maternos seriam um bom exemplo. Ela, viúva aos dezenove anos, ele um jovem de trinta, divorciado e pai de dois filhos. Os dois se apaixonaram loucamente quando se viram pela primeira vez. Primeiramente, ela lutou contra o sentimento que lhe arrebatava, mas depois, lutou pelo amor, brigou com a família deixou de trabalhar para se casar com meu avô. Ele bancou toda a situação, deu um lar a ela, estabilidade, filhos, mas os dois eram muito diferentes e brigavam constantemente. Meu avô era um boêmio familiar - gostava de beber, dançar, receber os amigos, mas era fiel, romântico, poeta, amava loucamente a minha doce e geniosa avó. Entre trancos e barrancos, ficaram juntos cinquenta anos, até a morte do meu avô. E ela, até o fim da vida, sonhava com o velho, tinha ciúmes dele, saudades, guardava as boas recordações. Ela sofreu sim, abriu mão de coisas importantes e, certamente teve que engolir o orgulho algumas vezes, mas foi feliz, mesmo aturando as bebedeiras do meu queridíssimo avô.

Hoje, vejo mulheres desesperadas por um relacionamento que dure e seja estável, e vejo homens desiludidos e traumatizados com uma ou duas relações frustradas. A conclusão que chego é que nós mulheres precisamos aceitar os defeitos, as diferenças e engolir alguns (vários) sapo, para construirmos a cumplicidade tão desejada - aquela que minha avó sabiamente soube construir e preservar. E quanto aos homens, penso que devem se ser mais generosos também e se sentir menos infalíveis, para que se perdoem pelas falhas, e perdoem suas parceiras, porque elas erram, mas também acertam e podem fazê-los muito felizes. E, para chegar ao título desta crônica, acredito que aquilo que buscamos no outro (o encontro) pode ser também o motivo do afastamento (desencontro) - ou seja, a diferença e não necessariamente a semelhança é que leva ao crescimento, ao perdão, à compaixão. Mas, para isso, é preciso antes nos amarmos na essência, porque enquanto ficarmos ligados ao ego, às aparências, nenhum ser humano vai servir, e todos vão nos magoar, porque todos temos defeitos e imperfeições. E eu pergunto: se a perfeição só existe na mente, vale à pena passar uma vida inteira sozinho?

Então, moçada, pra que perder tempo? Vamos à luta com peito aberto. Abram seus corações e deixem cair as máscaras. Se um sapo aparecer, transforme-o num príncipe. O espelho é seu!!!

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Quanto tempo dura uma fossa?


A bela música da diva inglesa chama-se Don't you remember?, na tradução livre Você não se lembra? e , na sequência, "a razão pela qual você me amou?". Toda a letra, como já prenuncia o título, faz um apelo angustiado por respostas para um término de relacionamento. E ainda emite uma esperançazinha melancólica de que o fim ainda não chegou, ou que o casal ainda vai se amar novamente. E aí, caro leitor, eu te pergunto, quanto tempo dura uma fossa, um luto, uma dor de cotovelo? Todo mundo já esteve nesse lugar, eu posso garantir, mas esse tempo não é o mesmo para todos, eu também sei.

A cantora inglesa está nos topos das paradas mundiais com um álbum inteiro de canções que percorrem e remexem e discutem e relembram e futricam todas as nuances desse rompimento, que parece ter sido importante e doloroso. Acho, particularmente, Adele muito corajosa e sincera, porque é difícil admitir, mas tem umas fossas que custam viu... E talvez, quando criamos algo valioso e criativo no lugar de lágrimas, lamentações e rancores, isso nos ajude a exorcizar de vez os fantasmas do(a) ex, a ponto de mudar a vida completamente. (bem, se o disco foi em vingança, o cara deve estar se roendo porque é um sucesso.) Na verdade, nossa porção paparazzi não consegue descobrir até o fim do álbum, que é muito bom por sinal, se o trauma da separação foi superado, mas fica claro que ela é quem foi deixada e isso é uma das coisas mais difíceis num término. Quando somos nós os responsáveis pelo rompimento, levamos tudo com mais leveza, podemos ficar pesarosos e até doloridos por um tempo, mas quando somos os rejeitados, o buraco é bem mais embaixo.

O tempo de recuperação varia de caso a caso. Mas, se houve entrega de verdade, vai pintar sofrimento até que o desapego esteja resolvido e a vida trate de colocar novas flores no caminho. E como aliviar a dor? Existem vários medicamentos: fazer milhares de amigos no facebook, conquistar várias pessoas por mês, transar duas vezes por semana, malhar uma vez por dia, comprar muitas roupas ou trocar o corte de cabelo (no caso das mulheres) e por aí vai... E também tem os que seguem uma outra linha: terapia duas vezes por semana, ioga todos os dias, cinemas acompanhados dos melhores e mais confiáveis amigos, dançar muito, falar ao telefone insistentemente sobre o ex-carcará, etc e tal. Mas, no fundo, o tempo de pausa é necessário, porque fingir que não está sofrendo não vai fazer com que o machucado desapareça.

Enfim, como tudo na vida passa, o jeito mais equilibrado de se curar de uma desilusão amorosa é refletir, tentar encontrar as respostas dentro de si, tipo, porque atraiu aquela pessoa, o que em si precisa ser mudado pra que uma relação mais saudável apareça no horizonte, qual a verdadeira causa interna do desencontro, é tudo culpa do outro ou eu também tenho responsabilidade? No livro do psicanalista Augusto Cury, Mulheres Inteligentes, Relações Saudáveis, ele explica que nossa mente guarda as memórias em compartimentos ou janelas, e elas podem ser light, killer ou power killer. O ideal é que após o término, com o tempo, todas as lembranças possam estar na porção light para que o próximo amor seja igualmente leve. Remoer é bom, mas só se no fim, o resultado for uma massa fina e doce, que vai nos ajudar a escolher e saborear melhor o próximo prato. Afinal, sofrimento tem limite.

domingo, 18 de setembro de 2011

Doar o coração


Vivemos em tempos de mentes aceleradas por descobertas tecnológicas, corpos moldados a ferro e sacrifícios, e pouco contato com o centro da nossa alma, o coração. O resultado disso é uma confusão gigantesca porque a nossa essência não pode ser ignorada, e quando isso acontece, a mente inventa subterfúgios, milhares deles, e o corpo trama fugas diversas: paixões arrebatadoras, aventuras pelas drogas, diversões inebriantes, livos para pensar e confundir ainda mais... A lista é enorme e a equação exata. Mente manipuladora X coração ignorado = vazio na alma. Esse vazio se manifesta em síndromes dos tempos atuais: depressão, pânico, isolamento, paranoia, TOC, alcoolismo e outras doenças cada vez mais comuns.

Na busca por ouvir o coração, procuramos desesperadamente um alvo e quando esse alvo é encontrado - normalmente um homem ou mulher - esse pobre ser, que também é um universo cheio de buscas pessoais, pode não ser suficiente para satisfazer as necessidades do coração. Vejo casais se distanciando, cobrando um do outro o frescor do início da relação. E também solteiros ainda iludidos procurando a paixão perfeita dos filmes e contos de fadas. 

E foram felizes para sempre... Como isso é uma mentira terrível, contada principalmente na infância, adultos precisam se distanciar dela e cair na real, literalmente. Onde vamos encontrar perfeição quando todas as pessoas estão iludidas? Por que vamos doar todo o nosso potencial de bondade, compaixão, amizade, compreensão e carinho para uma pessoa apenas? Opa, antes que pensem que estou defendendo a poligamia, deixe eu me explicar. A única forma de satisfazer o coração é doar amor incondicional para a Humanidade, seja num trabalho voluntário, seja na defesa de uma causa, seja na doação de seus talentos para aprendizes, seja no seu prédio, na escola, no trabalho, na comunidade. Trabalhar para tirar um sorriso, um muito obrigada, a paz mesmo que temporária. Pessoas que se doam são mais plenas porque conseguem atender a ânsia do coração, que é transbordar amor. Acredito que os ditadores se transformaram em pessoas sangrentas e vingativas porque escolheram não seguir o coração. E assim nós também, quando ouvimos o ego, e damos mais valor às aparências que não trazem nada de verdadeiramente bom em retorno.

Já ouvi muitas pessoas relatarem o quanto ganharam em troca pelo trabalho voluntário feito de coração. E elas recebem muito mais que dinheiro, recebem o que precisam e tudo de coração, porque os corações humanos se comunicam sem palavras. A arte também tem esse poder, de falar a língua do coração. Por isso, choramos em filmes e ficamos emocionados apreciando um belo poema ou uma tela. Então, fica a dica: abram os corações, deixem derramar o amor e esse amor retorna exatamente para quem teve a coragem e a sabedoria de doá-lo sem restrições. O resultado é poderosamente, imensamente, realmente bom.                

domingo, 27 de março de 2011

O encontro de Ares e Afrodite

Alessandra ensaiava a coreografia mais difícil de sua vida. A dança era um desafio constante, físico e psicológico. A música clássica, aos poucos, convidava às piruetas do ballet, que eram chamadas ao desafio do contemporâneo, com saltos e giros frenéticos, que davam lugar mais uma vez ao lírico e delicado, numa sequência de giros, braços e pernas em frenesi. O que, naquela noite de sábado, eram interrompidos por gritos bastante incômodos. "Eu mato esse desgraçado", pensava ela aos berros. Controlava-se e,  mais uma vez, invocava os deuses da arte para voltar à rotina. Os acordes do piano agora competiam abertamente com os sons vindos da sala ao lado, que normalmente ficava vazia naquele momento da semana. E para desespero de uma Afrodite compenetrada, os gritos de dor e luta corporal ficavam intensos demais. Alessandra, num impulso, correu para acabar com aquela agonia. Furiosa, percorreu os labirintos de sacos e toalhas, com cheiro de suor e quando viu a cena daquela batalha perturbadora, segurou seu instinto da guerra e ficou apenas observando, quieta. Olhos fixaram hipnotizados, como Narciso na beira do lago. O desenho da musculatura de braços eram as armas daquele homem bruto, belo, alucinante. A respiração teve que ser controlada, para que se transformasse na testemunha da enorme força, nenhum requinte ou disfarce, dele para vencer. Alex lutava bailando, como se tivesse nascido para aquela guerra com ele mesmo e era absolutamente, irresistivelmente sedutor. Alessandra esqueceu da própria luta, queria raptar aquele ser, captar a sua essência, consumir suas nuances e percorrer aqueles caminhos traçados com tensão e fluidez. Os socos se repetiam, mas não eram iguais, cada som gutural mexia com suas entranhas, o cheiro da raiva e do amor pelo desafio enchia a sala de paixão e Alessandra segurou o ímpeto de se colocar no lugar daquele instrumento frio de combate. Mas num instante, o desejo se fez maior. Um passo em falso e Alex caía gemendo de dor. Alessandra saiu de seu esconderijo e pôs pra fora sua força, oferecendo ajuda ao lutador. Ele, fascinado pela doçura do gesto e o corpo escultural da bailarina, esqueceu a dor, levantou-se e, olhando em seus olhos, sem nenhum aviso, a convidou para dançar um tango. A guerra dava o tom da dança de sedução que terminava na cama. Os dois se tornaram amantes regulares, de cumplicidade silenciosa. E uma nova guerra os chamava para dançar novamente e sucessivamente.


MITOLOGIA
Ares, também chamado de Marte, era o deus da guerra, dos combates irracionais, puramente instintivos. Homens e mulheres com esse arquétipo ariano estão sempre prontos para o desafio, os confrontos, as iniciativas. O deus Ares teve um longo caso de amor com Afrodite, a deusa do Amor e da Beleza. Os dois amantes foram descobertos pelo marido de Afrodite, Hefesto, o deus ferreiro, que criou uma armadilha para pegar os dois na cama. Mas, os deuses acharam aquilo muito ridículo e acabaram absolvendo os amantes. Ares e Afrodite tiveram vários filhos, como os meninos Pânico (Phobos) e Medo (Deimos), e também a menina Harmonia. Os gregos sugerem que do Amor e Guerra pode nascer a Paz, até porque com amor dá pra vencer qualquer batalha, não é mesmo?

quarta-feira, 9 de março de 2011

A dor e a delícia de ser... Homem.

Oito de março, Dia Internacional da Mulher. Esse ano, terça-feira de carnaval, passou batido, mas fico me perguntando se ainda temos o que bater nas questões feministas, já que a revolução já tomou o seu rumo e não há mais dúvidas sobre o valor da mulher na sociedade. Alguém ainda questiona a competência delas no poder?  Dilma Rousseff, Hilary Clinton, Martha Rocha - a chefona da polícia civil - e tantas outras cabeças femininas na liderança não nos deixam a menor sombra de desconfiança sobre a capacidade de luta e inteligência da mulher.

Mas, o x da questão agora, me parece, é o papel do homem hoje e que tipo de companheiro essa mulher poderosa deseja... A primeira questão é muito ampla e já se discute muito por aí. Eu, particularmente, acho que não mudou muito, o que alterou foi o peso das responsabilidades - agora dividido entre homens e mulheres nas relações. Homem continua tendo que pagar contas, dar exemplo e limite aos filhos, ser responsável por seus atos e cuidar de sua mulher, no sentido mais emocional e também físico, quando a integridade dela é ameaçada. Também acho que eles têm mesmo que pagar a conta do restaurante e do motel, quando tem condições para isso. Não que seja nada demais elas dividirem, mas o ato de cavalheirismo é genuíno e a generosidade sempre será retribuída, aquecendo a chama da sedução. Acho que isso não vai mudar nunca.

A questão mais importante para as mulheres nos dias de hoje penso que seja no que diz respeito às atitudes masculinas que ainda queremos preservar, mesmo em tempos de igualdades de gêneros. Vejo muitas mulheres assumindo as rédeas da conquista, deixando clara a vontade de seduzir sem limites e adotando uma postura altamente masculina nas questões sexuais. E fico um pouco assustada, porque me parece que isso coloca o feminino em um nível inferior, como se a inversão do papel deixasse a mulher ainda mais poderosa, ao custo da sua verdadeira força natural, que é o ser feminino. Por exemplo: mulheres que usam um linguajar muito masculino, bradando palavrões em rodas de chope e analisando futebol, podem até garantir o homem da noite, mas acho difícil conquistarem o ser humano, porque a natureza deste homem vai sempre buscar o desconhecido, o diferente que fascina. A não ser que este ser esteja tão afastado das referências femininas, ou que acabe aceitando essa postura masculina da mulher como forma de afastamento desta energia, por algum motivo mais profundo, uma raiva contida, uma questão com a mãe. Mas vamos deixar Freud fora desta, o babado é complexo mesmo...

Acredito que, neste momento, os homens estão bastante confusos sobre esta nova mulher. E assustados também, afinal, foram séculos de patriarcado e ele ainda permanece, mesmo com uma tendência a se alterar gradualmente. Mas o que acho válido refletir é: será que não seria melhor e mais produtivo acolher as diferenças ao invés de se igualar, tentar integrar as energias yin e yang? Por exemplo: ao invés de ser muito direta na sedução, as mulheres poderiam usar a inteligência e a sensibilidade para facilitar a aproximação, com olhares, sorrisos e uma boa dose de charme e mistério para que eles tenham a curiosidades de procurá-las num segundo encontro. E os homens poderiam ser mais sinceros ao seduzir, aproveitando a situação mas evitando a desilusão amorosa, aquela sensação de que não querem compromisso, só porque curtiram uma noite e não querem dar continuação, o que não tem nada demais. Homens e mulheres não precisam ser escravos dos instintos, mas penso que poderiam usá-los de maneira mais responsável e sensível, cuidando para não ferir ou diminuir o outro. Afinal, se direitos e deveres são os mesmos, porque não aproveitar isso com verdade e intensidade?

Homens e mulheres nunca serão exatamente iguais, mas no dia em que formos seres totais - masculino e feminino integrado e curado dentro de cada um de nós - as relações certamente ficarão mais proveitosas e essa guerrinha dos sexo chata e cansativa vai finalmente acabar. A tensão dos hormônios, jamais!!! Se não perde a graça...

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Síndrome de Peter Pan

Peter Pan é um personagem bonitinho, querido por todos, não há quem o deteste ou o ache ultrapassado. Ele nos remonta à ideia de que a infância é a fase mais lúdica e rica da vida. Mas, será que é isso mesmo? Vejo hoje em dia crianças sofrendo bullyng, tendo que enfrentar críticas em tempos de you tube e se virando nos 30 para que seus pais - seres confusos - entendam que elas podem ter sim seu espaço e talento reconhecidos, mas que ainda precisam de orientação e proteção, porque ainda não são adultos.

Ouvindo e mesmo vivendo histórias de adultos nos tempos modernos vejo também os que resistem a crescer, agindo de forma infantil e despreparada. Tempos difíceis os que vivemos, mas vamos tentar entender... Eu me lembro com muito carinho da infância, não havia cobranças da sociedade e, como venho de uma família razoavelmente grande (tenho duas irmãs), me lembro da casa cheia de amigos, dos paqueras, os telefones tocando, muito entra e sai e, uma sensação de aconchego que dá saudades. Mas também me lembro das broncas do meu pai, das discussões com minha mãe e das diferenças com minhas irmãs e isso não é nada legal. Então, hoje com quase 35 anos vejo muitas pessoas da mesma faixa etária custando a acreditar que cresceram.

São ações impensadas, frases ditas sem nenhuma reflexão ou preocupação com o outro, atitudes de adolescente sem causa e uma dificuldade enorme de enfrentar os revezes da vida. Não estou me colocando fora da berlinda, sempre faço a reflexão do quanto estou sendo madura e o quanto de mim ainda está a fim de ficar na adolescência. Mas o fato é que não dá pra negar e passar batido nessas questões.

Então, cheguei a algumas conclusões que funcionam pelo menos para mim. Decidi viver mesmo a vida adulta das responsabilidades, contas a pagar, escolhas a fazer e caminhos a seguir. Mas sem deixar a minha criança de lado. Eu a ressuscito ao fazer algum trabalho artístico como costurar, pintar, desenhar ou construir castelos de argila, danço Lady Gaga,e imito Byeoncè fazendo a faxina de casa. E brinco o carnaval sempre com alguma fantasia ou adereço colorido. E durante a paquera, o flerte, não tem nada demais fazer charminho de Penélope... Mas, quando chega segunda-feira, lembro de me concentrar no presente, como dona do meu destino, e executar as tarefas direitinho para que a minha alma se reconheça como uma pessoa divertida, leve mas sábia também, porque os limites e decisões fazem parte da vida adulta.

Beijos!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Quem é o dono do meu coração?

O título da nova música "chicletinho" do momento, da menina-sensação, Miley Cyrus, me inspirou essa crônica. Você sabe quem é o dono do seu coração? O que ativa o centro da sua alma mais facilmente: uma pessoa, uma atividade, um pensamento, o seu talento... A lista de opções é enorme, mas na verdade, a gente  olha tanto pra fora que o primeiro impulso é dizer: o meu filho (ou filha), meu amor, minha família, minha fé, minha casa, minhas viagens, minhas conquistas profissionais. Mas o que, de verdade, ativa positivamente o seu íntimo mais profundo? Consigo enxergar isso nas pessoas pelo brilho nos olhos quando falam de algo que estão fazendo ou planejando com aquele carinho especial...

Outro dia, numa festa de aniversário infantil, me pus a investigar esse sentimento. Conversando com uma amiga, ela me revelou que estava super bem de vida, mudou-se de cidade e está ganhando dinheiro "pela primeira vez na vida". Fiquei muito feliz por ela, de verdade... Poxa, não está fácil ganhar a vida no Rio de Janeiro, ainda mais como jornalista. Mas, a conversa seguiu adiante e ela me confidenciou que também está namorando. Os olhos começaram a brilhar diferente... Então, fui dando corda, colocando lenha e perguntei se ela ainda tinha esperanças de ter filhos. Nossa, aí o seu rosto se encheu de luz! Essa ideia de ser mãe é o que realmente preenche o seu coração...

Outra amiga, que acaba de comemorar o aniversário de um ano da filha tem um dom: editar vídeos com uma sensibilidade e habilidade tamanha, mas essa atividade não é muito explorada por ela. Mesmo assim, fez questão de presentear os amigos com um maravilhoso filme sobre essa conquista tão especial. E isso, certamente inspirou muitas pessoas, com ou sem filhos. Eu fui uma delas...

Na mesma linha de pensamento, sou confidente de outra amiga, veterinária bem-sucedida, que é uma artista nata, mas que foi sempre desmotivada pelos pais e a sociedade. Agora, que é dona de seu destino, está radiante por ter voltado a pintar, e inclusive está investindo tempo e dinheiro na pintura. Ela é mãe, bem casada, mas o talento falou mais alto e, não há quem tire o sorriso de seus lábios quando fala de sua criação.

Então, eu, Miley Cyrus, Renata, Melissa, Rosane e tantas outras mulheres nos perguntamos: a quem pertence nosso coração? Ao amor ou à arte? Acho que aos dois....Um não pode viver sem o outro.

Para quem não conhece, segue o clipe da garotinha cantora que me conquistou com essa letra graciosa. Como artista, ela ainda tem muito o que aprender com titia Madonna, mas essa música ganhou meu coração por alguns momentos...

Beijos



A Quem Pertence Meu Coração

R-O-C-K máfia


A criação me mostra o que fazer
Estou dançando na pista com você
E quando você toca minha mão
Eu vou a loucura, yeah
A música me diz o que sentir
Eu gosto de você agora
Mas é real no momento em que dizemos adeus?
Eu vou saber se isso é certo
E eu sinto você (você) vindo pelas minhas veias
Eu estou afim de você ou é culpa da música?


A quem pertence meu coração
É amor ou é arte?
Porque do jeito que você balança o seu corpo
Me deixa confusa
E eu não posso dizer se é a batida ou as faíscas
Quem possui meu coração?
É amor ou é arte?
Você sabe que eu quero acreditar que nós somos uma obra-prima
Mas as vezes é difícil de dizer na escuridão
A quem pertence o meu coração


A sala está cheia
Mas tudo que eu vejo é o jeito
Que seus olhos chamam por mim
Como fogo no escuro
Nós somos como a arte de viver
Isso me acerta
Como uma onda
Você está me sentindo
Ou é culpa da música?


A quem pertence meu coração
É amor ou é arte?
Porque do jeito que você balança o seu corpo
Me deixa confusa
E eu não posso dizer se é a batida ou as faíscas
Quem possui meu coração?
É amor ou é arte?
Você sabe que eu quero acreditar que nós somos uma obra-prima
Mas as vezes é difícil de dizer na escuridão
A quem pertence o meu coração


Então venha,baby
Continue me provocando
Continue a me enlaçar
Como Romeu
Baby, me coloque mais perto
Venha
Aqui vamos nós (x3)


E isso me acerta
Como uma onda
Você está me sentindo
Ou é culpa da música?


A quem pertence meu coração
É amor ou é arte?
Porque do jeito que você balança o seu corpo
Me deixa confusa
E eu não posso dizer se é a batida ou as faíscas
Quem possui meu coração?
É amor ou é arte?
Você sabe que eu quero acreditar que nós somos uma obra-prima
Mas as vezes é difícil de dizer na escuridão
A quem pertence o meu coração



quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Lá vem o sol... Ensaio sobre a luz

Com a estação mais quente do ano, a tendência nossa carioca de cada dia, é reclamar do calor... Realmente, às vezes pedimos clemência aos céus nessa época do ano, com termômetros em 40 graus. Mas eu, nascida em pleno verão de março, sou ensolarada desde a fase fetal e, posteriormente, cresci em um quarto de mesmo tom esfuziante. Aliás, o amarelo é uma cor vibrante que sempre me põe pra cima em qualquer ocasião. Então, não poderia deixar de reverenciar o astro rei nesses dias de sol à pino nos trópicos.

Já repararam como o dia fica mais belo com o sol? Nossa, eu não sou uma pessoa nublada nublada mesmo. Meu humor e ânimo não combinam com o cinza. A chuva, santa e devassa, que me perdoe. Sei que você é necessária e bem-vinda, na medida certa, mas o sol... Ah, o sol... Tem alguma coisa melhor do que pegar uma praia com aquele dia iluminado, que deixa o céu com um azul tão aberto e feliz? As montanhas, as árvores, o verde, as flores, todos celebram o astro campeão de luminosidade, jogando um colorido diferente em tudo, desde o mais comum concreto ao mais vasto jardim. Afinal, o sol é o senhor do universo, dá conta de si mesmo sozinho, brilha tanto e por si só, e ainda divide o seu calor e expressividade com outros astros menos afortunados. Sabe a estrelinha que você vê e fica lá suspirando? É reflexo do sol. Sabe a lua, belíssima e misteriosa que quando fica cheia faz a gente perder a cabeça? Reflexo do sol. E o eclipse do sol com a Terra, fenômeno fascinante que nos deixa de boca aberta? O sol tá na área, de novo....

Se formos analisar ainda mais profundamente, pegando o mito grego (descrito aqui ao lado), e levando para os arquétipos humanos, que falam diretamente com o nosso emocional, o sol representa a luz da consciência, a espiritualidade, porque seu brilho é único, tanto interno como externamente. O sol não esconde nada, apenas se compromete a doar luminosidade, verdade e pureza a quem quiser e não quiser olhar para ele. A luz que revela tudo vem do sol e os nossos talentos têm a ver com esse belo astro também, imponente e ao mesmo tempo humilde, tranquilo, transparente... Quando se distancia, não é por falta de vontade ou crise de identidade, mas porque sua generosidade deixa as nuvens o esconderem. Coisas da natureza, pra gente valorizar o que é bom. Nada como um amarelo depois de um cinza. Os curitibanos e paulistamos que o digam!

O arcano XIX do tarot também fala dessa luz, da inocência que, na verdade, é a nossa essência, a nossa verdade Divina. O astro rei nos remete também aos dons escondidinhos lá dentro, que a gente teima em não deixar sair pro mundo - ou por medo, ou por pura preguiça mesmo. O sol não teme nada. Ele sabe que pode brilhar e dá a vez pra outros brilharem também. Então, meus caros, brilhemos em nosso interior para que essa luz seja irradiada longe e chegue a todos, sem medo de ser feliz. Como dizem os poeta do país mais cinza da Europa, em tradução do nosso querido e luminoso poeta carioca: "Lá vem o sol... Lá vem o sol... E eu já sei, tá legal !!!"
 

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Guerra no Amor

Fernanda e Ignácio descobriram um no outro uma fonte de prazer inesgotável. Mas também eram um para o outro um desafio intelectual perturbador e excitante, mas que estava para acabar a qualquer instante. Os dois já não tinham razões para debates acalorados. Já tinham discutido tudo: a guerra do Iraque - ela era a favor, ele contra; a igreja Católica - ela cristã fervorosa, ele ateu; os rumos da política brasileira - ele criticava Lula e ela queria Dilma. Quando se encontravam no trabalho, não tinham mais o que divergir, mas o sexo era bom demais para que deixassem de lado as controvérsias e, eles encontraram um novo debate.
O drama deste casal faz parte do conto, O que é que o cafajeste tem? do livro Diários de Afrodites. Nele, essas pobre almas encontram na discussão intelectual uma forma de escudo para os verdadeiros sentimentos - de atração e afeto que desenvolvem um pelo outro - por medo, ou desistência de se entregar ao amor verdadeiro. Este conto, assim como histórias da vida real e das novelas, filmes, livros, me fez aprofundar no tema: guerra no amor. Por que cada vez mais vemos casais se atracando ou se agredindo verbalmente, perdendo a paciência, reclamando pelas costas, terminando e voltando sem parar? E fui, claro, pesquisar nos livros que falam sobre o tema. Como gosto de escrever, falar e desvendar os segredos - profundos - da alma humana, especialmente nos relacionamentos homem-mulher, achei uma pérola que gostaria de dividir neste espaço.

O livro Amor perfeito, relacionamentos imperfeitos - Curando a mágoa do coração, do psicoterapeuta americano, John Welwood (Editora Gaia), nos mostra de forma simples porque não conseguimos ser felizes com nossas escolhas amorosas. A resposta é bem dura: porque atraímos pessoas que nos remetem à falta de amor da infância, que nos marca profundamente. Não adianta reclamar com Freud, nisso o pai da psicanálise acertou em cheio. No livro, o autor explica com funciona esse mecanismo autodestrutivo. É mais ou menos assim: você teve um pai ou mãe que não te amou o suficiente, ou porque não tinha tempo, ou porque era uma pessoa carente e difícil mesmo. Enfim, ficou faltando atenção, aí o adulto passa a achar que não é bom o suficiente para merecer o amor ou que ninguém vai amá-lo do jeito que é. Já viu no que isso vai dar, né? Gato correndo atrás do próprio rabo!!! Aquele trauma inconsciente fica ali, fazendo com que a pessoa escolha a dedo o pior candidato possível, ou se feche para uma possibilidade afetiva saudável.

Sei que muita gente acha chato esse papo analítico, mas o que vejo nos tempos atuais é grave, muita gente perdida culpando o outro por tudo, transformando a própria vida e a do outro um verdadeiro inferno. Na verdade, está tudo dentro dela mesma e, para melhorar as relações afetivas - e não ficar achando que estamos vivendo o apocalipse do casamento heterossexual  - eu recomendo terapia, autoanálise, leitura, ou seja, muita reflexão. Se preciso, fique sozinho por um tempo.

O mais legal no livro de Welwood, que o diferencia de tantos outros sobre a mente humana, é que este oferece práticas muito simples e possíveis para amenizar a mágoa do coração - a tal que nos faz procurar os sujeitos errados. Eu fiz e recomendo!!!

Boa leitura. Beijos!!!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Rituais de Ano Novo ou Despedidas e Saudações


Tá chegando a hora de nos despedirmos de mais um ano... Todo mundo animado, afinal vamos beber champanhe, comer rabanada (de novo), abraçar amigos e amores e, é claro, renovar os desejos e metas para o próximo ano. Ah, quem me disser que não faz uma revisão do ano que passou para entrar o Ano Novo com pé direito, tá mentindo! Tá bom, tem gente que não liga pra simpatias e superstições dessa época, mas vamos analisar mais coletivamente o sentido desta festa da virada.

No calendário, o primeiro de janeiro é um dia como outro qualquer, mas se os Humanos criaram esse ritual tão legal e festivo deve ter um porquê. E tem. O sistema nervoso, mental e espiritual dos terráquios inteligentes necessita de uma pausa, de encerrar um ciclo para começar outro. Claro, tem muita gente que continua pelando o saco do outro, sem-noção, mas a maioria das pessoas, adota esses rituais de passagem para aliviar a barra e tentar recomeçar. Se não do zero, pelo menos de uma quilometragem menos carregada!!!

E nessas tarefas de fim de ano vale tudo: simpatias (comer romã e uvas para atrair prospedidade), cromoterapia (escolher cores conforme os seus desejos, a campeã da mulherada), superstições (pular 12 ondas e fazer um pedido para cada mês do ano), além de rituais sagrados, como jogar flores pra Iemanjá (conheço gente que nem é do babado, mas no dia primeiro faz de tudo pra ficar bem com todos os santos). Acho, particularmente, tudo isso válido. Explico: todos esses rituais - acrescentados a uma boa reflexão do que deu certo e do que precisa ser revisto - servem para que a gente consiga visualizar os desejos com o objetivo de que se tornem algo viável, e não apenas um sonho distante. Eu tenho um hábito anual de que gosto muito: pego uma folha de papel e coloco tudo aquilo que eu não quero mais em 2011 (não tô falando de roupa velha, mas de hábitos que cultivo e não me servem mais) e faço outra lista com nove metas que desejo. E elas podem ser materiais ou imateriais. Acho que as imateriais são fundamentais para que as materiais se concretizem. Exemplo hipotético: como vou conquistar um novo emprego se continuo preguiçosa esperando que uma oferta de trabalho caia, como um pop-up na minha caixa de email? Então, todas as metas colocadas no papel se seguem daquilo que é preciso superar para conquistá-la. E, sabem que tem dado certo...

Todo dia 31 eu revejo a lista do ano anterior e refaço, pego o que ficou faltando concretizar e vejo se aquilo ainda é necessário para a minha existência. Se for, eu incluo de novo, se não, descarto. Também faz parte do ritual agradecer à existência por tudo o que eu conquistei e mantive e, me despedir carinhosamente do que não preciso mais. Depois, me concentro nos objetivos para o próximo ano. Então, eu sugiro que faça isso. Tente, não custa nada. Se preferir, deixe a sua lista à vista em algum lugar só seu, para que durante o ano você olhe e cultive aquele desejo. O ser humano precisa sonhar, mas os sonhos podem virar frustração ou realização, basta a gente ser honesto, arregaçar as mangas e ir atrás daquela meta. Todo sonho está ao nosso alcance, basta ter estratégias claras e, um certo merecimento, mas até disso a gente pode correr atrás, não é?.

Então, listei nove desejos para toda a Humanidade, incluindo vocês meus queridos leitores, amigos e parentes de sangue ou de alma:

1. Que a paz reine não só nas ruas do Rio de Janeiro e no Complexo do Alemão, mas dentro de cada um de nós, nos relacionamentos afetivos, no trabalho, nas filas de supermercado...

2. Que todos melhorem seus ganhos financeiros, e que eles sejam resultado de um esforço pelo bem comum e o futuro do Planeta (ganhar na mega-sena e apelar pelo velho jeitinho brasileiro estão descartados),

3. Que conquistem a casa, o carro, a viagem dos seus sonhos (mas não se esqueçam da poluição do planeta e do perigo das dívidas, afinal é melhor ter menos do que se preocupar demais),

4. Que tenham o amor que desejam: com respeito, paixão, boas risadas, companheirismo e sexo satisfatório;

5. Que sejam promovidos nos empregos ou busquem uma nova forma de realização profissional que realmente os façam  se sentir felizes na essência, porque o mundo não precisa de mais frustração;

6. Que vocês possam amar e ser amados como são e pelo o que são, não pelo que têm ou cargo que ocupam;

7. Que os seus amigos se multipliquem e com eles as risadas, os momentos divertidos, os cinemas, os chopinhos, as paqueras...

8. Que vocês (todos nós) consigam perder os quilinhos indesejados, que já começam a a se acumular, deixem a preguiça de lado e respeitem e amem seus corpos;

9. Que nós possamos buscar sempre o equilíbrio entre mente, corpo e espírito para que possamos fazer escolhas mais maduras e acertadas.

                                                        FELIZ 2011 !!!!

domingo, 5 de dezembro de 2010

Filho de papel

Ele foi inseminado pela enorme vontade de expressar o que a mente já cansava de explorar. Eram muitas vidas, muitas situações inusitadas, irônicas, beirando ao ridículo. E, ao lado dessa vontade, ainda tinha os anseios, as expectativas, a procura pela tampa das panelas femininas, as almas masculinas, penadas ou gêmeas, que de fato pudessem satisfazer as necessidades internas, sejam quais fossem, dessas mulheres.

Então, ele foi sendo gerado pelo mais delicioso sabor da escrita, as possibilidades sem-fim da língua portuguesa de fazer vir ao mundo sonhos, ideias, situações caóticas que toda mulher já passou ou um dia vai passar. E as histórias foram vindo, uma a uma, de vários lugares... Vinham de situações contadas por amigas à beira de um ataque de nervos, de livros lidos, das minhas próprias experimentações no campo amoroso, do inconsciente coletivo e da mitologia.

As deusas gregas foram criadas há milânios, mas, pasmem, elas ainda estão presentes no nosso cotidiano. E isso me intrigou. Vamos fazer um teste: quem nunca conheceu uma mulher que sabe do seu poder de sedução, e seduz naturalmente, onde quer que ela esteja? Afrodite...

E você certamente conhece aquela mulher que só pensa em trabalho, e vê os homens como meros objetos de desejo sexual? Atenas... E a mãezona, aquela que larga tudo para ficar com a família? Deméter... Ah, e a esposa perfeita, que vive para providenciar tudo ao marido e fazer com que ele brilhe? Hera...

Todas essas mulheres vieram ao meu encontro e, unido a minha imaginação fértil a essas deusas incansáveis e complexas, saíram os contos. Eles foram nascendo aos poucos, de acordo com a vibração e os questionamentos do momento. Então, tem mulher que gosta de cafajeste, mulher que quer encontrar amor e sexo, mulher que quer se realizar profissionalmente e está se lixando pra ser mãe, mulher que deseja compartilhar a vida, mulher que quer liberdade, mulher que sonha em casar e construir família, mulher que sonha em comprar um belo apartamento.... Mulher que compete, mulher que afaga, mulher que luta, mulher que sucumbe, mulher que ama, mulher que prefere não amar.

Todas nós estamos nessas deusas, que saem das páginas para viverem livres nas mentes e corações dos leitores. A vocês, meus queridos, eu apresento o meu filho: Diários de Afrodites.

Dia: 11/12 - sábado
Horário: 19h
Local: Espaço Multifoco - Av. Mem de Sá, 126 - Lapa

   

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Tricotando...


Amélia e Bianca, Afrodites veteranas, se encontraram por acaso, como força do destino, durante um engarrafamento monstruoso na Avenida Brasil. Nunca tinham se visto, mas as duas tinham tudo a ver, só não sabiam. Naquela tarde de terça, sem nada o que poder fazer - uma tinha contas a pagar a outra unha a fazer - se olharam e começaram a desabafar...
Amélia, que era mulher de verdade no século XXI inaugurou a discussão, que mais tarde, mudaria o rumo daquele tédio acalorado, em meio ao caos urbano.
- Homem não é tudo igual?
- Acho que sim - disfarçou Bianca. A outra ignorou o desconhecimento da desconhecida e tagarelou.
- Olha, eu estou há 10 anos com o mesmo cara, e ele consegue me irritar todos os dias...
- Por quê? - achou melhor perguntar, com uma ponta de arrependimento, mas a conversa prosseguiu.
- Porque todos os dias ele chega em casa, deixa a roupa espalhada na cama, e sai pra beber. Se não é bar, é futebol, meu Deus, o que tanto eles gostam desse negócio de bola, gritaria, é muita ignorância, Deus o livre.
A outra, que não tinha um homem do lado, pensou com os seus botões. "Há quanto tempo meu Deus, eu não sei o que é uma ignorância de homem, do que é que ela está reclamando"? E a outra, descontrolada, emendou.
- Quando eu chego em casa, cansada, o traste ainda quer atenção, comidinha, roupinha passada e, huuum sabe mais o quê, né?
Ela podia imaginar, mas disfarçou, não podia declarar a sua grave falta genérica, então, fez que sim com a cabeça e pensou. "Mulher de sorte... Um homem pra azucrinar a vida. Eu nem me lembro disso."
Amélia sonhava com outros dias.
- Nossa, quando eu era solteira, eu arrasava, era tanto homem atrás de mim...
O diálogo agora era imaginário.
"Que louca! Do que ela reclama?"
- Eu tinha um a cada fim de semana, de tudo quanto é jeito, pobre, rico, estudado, grosseirão. Eu não tinha frescura, comigo era só festa.
"Eu vou matar essa mulher"!
- Mas quando eu casei...
A outra voltou a si e ficou curiosa.
- E aí? Ele era um cara legal?
- O último dos românticos. Me levava pra jantar, pra dançar, pra motel, viagenzinha... Samba, sombra e muita cerveja. Aí, entra na rotina, vem os filhos e o homem começou a beber, a ter amigos, coisa que antes não tinha...
- Mas ele é um bom homem?
- É bom, é honesto, bom pai, me ama, é fiel.
- Minha filha, não reclama não.
- Por quê?
- Porque podia ser bem diferente...
- Como?
- Você podia chegar em casa e não ter ninguém pra conversar e discutir o seu dia.
- Gostei disso.
- Você podia ter toda a liberdade do mundo.
- Gostei mais ainda.
- E podia não ter nem a cor de sexo por sei lá um ano.
- NÃO!
- Então, querida. Dá um jeitinho, vê se compra cerveja pra ele não ter que sair e aguenta o futebol porque afinal, o mundo não é perfeito. E o que são umas horinhas de memória das cavernas?
A outra calou, pensou, pensou e concluiu.
- Quer trocar de vida por um dia?
A plateia, que já prestava atenção no debate, entrometeu em coro.
- Troca menina.
- Que nada. Vai que o marido da outra gosta dessa.
- E vai que ela gosta da vida de solteira... Ferrou!
As duas calaram de novo. E Bianca resolveu proclarmar o fim da discussão.
- Homem é tudo igual, mesmo, mas o pior é que a gente gosta.
Depois de algum tempo, Amélia e Bianca se tornaram amigas e confidentes. A insatisfação delas já não era tão grande durante as horas de poker na casa de Amélia. Enquanto o marido assistia ao futebol na sala, as duas tricotavam no quarto com uma cervejinha gelada. As novas amigas de infância chegaram ao veredicto final da conversa.
- Nenguém está contente com o que se tem e a maior arte da vida é aproveitar o que se tem.
Elas estavam aproveitando. Afinal, como já dizia Rita Lee, amor e sexo são coisas diferentes e quando se pode juntar as duas, ninguém ousa desperdiçar.

sábado, 4 de setembro de 2010

Artemis e os segredos da floresta



Conta a mitologia, que a deusa Artemis nasceu com a missão de caçar (não vou me alongar contando a história do nascimento dela) e viver junto à natureza, e por isso, vive bem e muito bem ao ar livre, longe dos humanos, a ponto de fazer voto de castidade.

Desde o começo da Humanidade, as deusas e deuses deixaram mensagems em nós que continuam firmes e fortes no nosso inconsciente, e por isso, envoco essa "amazona" da mitologia grega - Diana para os romanos - nesse ensaio sobre a minha recente viagem à Amazônia. Calma, não me embrenhei na floresta como uma bandeirante, nem fui fazer escursão em nenhuma tribo indígena (adoraria ter essa força de espírito, mas ainda não tive), fui conhecer projetos interessantes de educação e produção agrícola em meio a um verde inebriante e vibrante de paz e vitalidade.

Vou fazer um parêntesis, se me perdoem. A reportagem, para mim, é uma arte. E essa arte passa por alguns estágios. Primeiro pelo contato com o novo sem olhar para ele com olhos estrangeiros, mas buscando as referëncias internas capazes de nos colocar no lugar do outro sem fazer diferenças - caso contrário (como, se for pensar nos mosquitos gigantescos ou se o copo d'água que te oferecem está limpo) o trabalho se transforma em um desfile de frescuras, preconceitos e clichês. Depois, a reportagem vai para o passo mais decisivo, que é a peneira que leva à escrita, e essa parte, do julgamento, é a mais perigosa, por isso, temos que estar abertos a um olhar humano, uma percepção instintiva e nos perguntar: qual a emoção desse momento? Qual a maior riqueza desta pessoa, deste lugar? O que eu, como ser humano igual a ele, pude aprender com esse povo que estava aqui quieto, sem pedir a minha presença, nem tão pouco a minha interferência?

Parêntesis feito, vou chegar à floresta (isso depois de muito chão). O Pará é terra de gente simples, muito simples. Não a ponto de passar fome, como no sertão nordestino, ou enfrentar a seca do semi-árido, simples pela condição de estar junto das coisas naturais e eu aprendi um monte com esse povo. O contato rural sempre me remeteu à infância, quando me jogava descalsa na terra batida da fazenda do meu pai, e podia vê-lo tirar leite da vaca, ou fazendo queijo, e quando chupava manga no pé e corria dos cachorros. Essas lembranças são adoráveis, não só pelo fato de estar rodeada das pessoas que mais amo, mas porque quando em contato com a terra, a gente volta a ser simples, a descomplicar a vida, a pensar como somos fúteis e cheios de paranóias, e isso renova a alma em busca do propósito único: ser feliz por completo. O povo da floresta respira ares de felicidade! Não estou brincando, nem sendo piegas. É a mais pura verdade. Mesmo com as dificuldades deles, como por exemplo, andar em estradas de chão
que demoram horas para se deslocar de um lugar a outro. Falta de eletricidade e alguns confortos como celular e internet.

Pude ver o brilho nos olhos de meninos, que falam errado, mas podem se expressar sem vergonha e sem a compulsão frenética dos celulares e computadores, apesar de já poderem ter contato com essas ferramentas da modernidade. Senti a pulsão de esperança de um agricultor que andava mal das pernas, mas que com uma ajuda mínima de umas vaquinhas, se encheu de alegria ao ver que em breve vai poder vender leite, além de produzir açaí para abastecer a capital com a tão cobiçada fruta, tão valorizada, que o faz sorrir de orelha a orelha. Esse homem só quer ter uma vida mais tranquila, e não sair do campo. Não imaginem um homem desdentado ou maltrapilho, imagine o seu pai, apenas sem cinto e com barba por fazer e sem cortar o cabelo: esse é o homem do campo.

Esse mesmo personagem me deixou ainda mais fascinada. Ele construiu uma casa sem nenhuma parede no meio da floresta. Tëm ideia disso? Dá para sentir o tamanho do prazer deste homem em estar junto à natureza? Não tem medo de cobras, lagartichas, besouros e outros bichos que nem tenho coragem de pensar. Ele é uma pessoa simples, que tem valores simples, e preserva a vitalidade que falta aos homens da cidade, preocupados com a conta bancária e a violência que veem na televisão. O homem do campo aproveita o que a terra oferece com gratidão, e retribui em forma de felicidade. Felicidade que ele passa para os filhos, todos formados - um deles é biólogo - o que gera a harmonia em família. Ali na roça, divórcios são raros e não há mulheres se queixando da falta de homem (isso tem de montão e todos querendo casamento). Voltando à casa sem paredes, dentro da minha perplexidade e encantamento, eu quis saber como eles conseguiam dormir com tudo aberto, se não sofriam com os mosquitos... O homem me disse que não havia mosquitos (brincadeira, ele estava era acostumado!), mas que o frio incomodava um pouco. Só isso. Incomodava um pouco, sem problemas e conflitos maiores. Admirei tanto essa família... o casal, orgulhoso de seus frutos, me serviu suco de maracujá e caju (todos naturais) e bolo de aipim feito pela esposa. Um espetáculo! Sai de lá feliz e grata, valorizando as coisas mais simples da vida. A minha casa, a minha família e tudo de lindo que posso conhecer e construir com simplicidade e amor.

Depois dessa experiência, ainda conheci o Parque Zoobotânico de Carajás, que abriga umas oncinhas, uns macacaquinhos e umas ararinhas maravilhosas, também conheci o Urubu-rei (ele é branco, sabiam?), coisas da Amazônia... Uma riqueza que não poderia explicar com palavras. Só mesmo conhecendo para ver de perto esse universo maravilhoso, pulsante de vida que é a floresta. Eu já estive em muitas zonas rurais, pus os pés em muitos jardins e abracei muitas árvores gigantes, mas nunca tinha sentido o que senti na Amazônia - a maior biodiversidade do planeta, uma cidade de seres distintos convivendo em harmonia, o que deixa o homem realmente no chinelo.

A densidade das copas, os sons, os cheiros, a energia, tudo é inigualável. No Parque há uma sala de coleções com simplesmente 2.500 indivíduos - insetos (lindos e assustadores), frutos, sementes e tipos de madeiras. É espécie que não acaba mais, coisa de maluco... Ártemis dentro de mim entrou em êxtase máximo. Mas, Atena falou mais alto, e voltei para a cidade. Não sem antes prometer à minha deusa selvagem que voltarei ao campo o mais breve possível...

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segunda-feira, 9 de agosto de 2010

O retrato da alma


Responda rápido: qual o melhor cartão de visitas, o mais eficaz produto de beleza, e o melhor cumprimento que existe? O olhar? Talvez. Mas acertou na mosca, quem disse o sorriso.



Muitos por aí defendem o tal "carão", a cara de paisagem, o riso forçado, a máscara... Mas façamos uma análise. Na sua memória afetiva você se lembra mais das pessoas sérias e discimuladas ou das alegres, aqueles engraçadinhos, ou até mesmo surtados? Para mim os tipos inesquecíveis e amigos adorados são os que me presenteiam com os seus sorrisos, seu estado de espirito, suas brincadeiras e até mesmo as sacanagens inofensivas.



Não acho que se deva perder o amigo em nome da boa piada. Estou defendendo e correndo atrás de companhias leves, que me façam abrir o sorrisão ou gargalhar, até a barriga doer...



Recentemente passei por uma experiência muito boa e delicada, ao mesmo tempo. Trabalhar na redação do Jornal do Brasil em decadência, prestes a deixar de exisitir. Mas a grande lição que tirei veio através das pessoas, profissionais de grande competência, colegas de uma espirituosidade marcante e que deixou saudades. Fazer piada da própria "desgraça" não é pra qualquer um!!! Na redação do JB tinha todo o tipo de humor, até o "negro", mas todos bem pra cima, apesar da circustãncia de quase desemprego. O meu vizinho Paulo Márcio, por exemploo, quase matou todos de rir quando in ventou uma fala para o espanhol Oscar, o homem que ganhou o primeiro transplante facial do mundo, e que segundo os médicos, foi muito bem sucedido. Para o meu colega, não foi bem assim... Imaginem um fanho com torcicolo, esse era o  resultado da plástica, segundo Paulo, com uma imitação hilária da desgraça humana. Só para explicar para os não-jornalistas: isso rola com pessoas em situação de isolamento forçado e com a corda no pescoço, como numa redação de jornal ou tevê.



Evelyn é um exemplo de sorriso que ilumina todo o ambiente. Sua espontaneidade e senso de humor vou levar pra secmpre na memória. Um rosto solar, que irradia beleza, sinceridade e por isso - e outros atributos mais - exala sensualidade. Uma repórter adorável de futuro brilhante. Raquel é outro sorriso contagiante, mais experiente e sarcástico, que despertava as mais idiotas brincadeiras masculinas. Todos, claro, queriam provocar o seu sorriso belíssimo e simpático. E o que dizer dos malandros, Cláudio e Fernando, disputando a nossa atenção com piadas, imitações de Silvio Santos e trocadilhos infames sobre as notícias massacrantes da TV. "O Macarrão gosta mesmo é de linguiça" (sobre o amigo do goleiro Bruno), ou "a voz do polvo é a voz de Deus" (sobre o vidente da Copa). E ainda, para divertir os trabalhadores do Mundial, a dupla, Paulo Roberto Falcão e Casa Grande cover fazendo comentários pra lá de irônicos sobre os comentaristas reais.



Enfim, poderia citar inúmeros sorrisos marcantes na minha vida. Todos me conquistaram de cara. Cláudia Tisato, a gargalhada pop. Filismino, uma pessoa sorriso. Thyana, um sorriso meigo. Nunca vou me esquecer de quando Bruno Pacheco me contou uma história muito doida de quando ele foi conhecer, bêbado, o pai de uma antiga namorada, horas de gargalhada e aquela sensação boa de que viver vale à pena. Isso porque o riso é a pura expressão de sinceridade e espontaneidade. Muito difícil alguém dar uma gargalhada forçada, a gente percebe. Também me lembro de uma estagiária que dizia que rir atraía os homens (durante a caça). Eu achava graça, mais do jeito que ela falava, do que para alcançar o tal objetivo. "Paula, vamos rir que atrai". E ela saia inventando um caso engraçado pra chamar a atenção dos marmanjos. Uma adorável maluca!!!



Enfim, a vida tem muita graça. Se não está encontrando motivos para sorrir, sorria mesmo assim, porque você vai atrair pessoas para uma conversa, um ombro amigo, ou um flerte, quem sabe? A simpatia é a melhor das qualidades. Eu adoraria ganhar esse trófeu, conquistado no cinema pela sorridente Sandra Bullock. Tá vendo, rende até Oscar!


Beijos solares para todos!!!

sábado, 3 de julho de 2010

Lições da derrota


A foto ao lado é um raio-x do sentimento de todos os brasileiros com a derrota do Brasil na Copa da África: um choro só. Mas, recompostos da tristeza, sem deixar o patriotismo de lado, analisemos com um pouco mais de frieza e racionalidade as lições deste Mundial.

- Por que a nossa identidade como povo está tão atrelada ao futebol? Tudo bem, somos um país recente (500 anos não são nada) e ainda estamos engatinhando na construção da nossa imagem, mas será que já não chegou a hora de crescermos e nos tornarmos referências em outros assuntos, além do esporte e do carnaval? Nações de respeito têm que mostrar força da economia, da boa diplomacia, preocupação com o meio ambiente e, principalmente, atenção às necessidades físicas, emocionais e espirituais de seu povo. O Brasil, em ano de eleições, deveria se preocupar mais com essas questões.

- Será que temos sempre que ganhar no futebol? Agora vem a parte do nosso ego latino-americano, passional, irracional e, um tanto, inflado na sua virilidade masculina (afinal, futebol feminino não tem tanta empolgação). Ok, perdemos, podemos melhorar e ganhar na próxima, não é o fim do mundo. Nossos colegas "hermanos" argentinos sofrem do mesmo trauma, sentem-se um lixo quando perdem. Quê isso!!! Vamos ensinar a Maradona. E a nossa arte, a nossa receptvidade perante o mundo, a nossa diplomacia, a nossa capacidade de lutar em qualquer lugar do mundo? Somos reconhecidos, entre os gringos, como o povo alto astral, com economia entre os países que mais crescem no mundo e temos respeito por isso. Será que não está na hora de a Pátria de chuteiras dar lugar à Pátria de mentes e corações que brilham?

- Todos estão tentando achar os culpados pela derrota, mas uma perda não faz mal a ninguém! Vale lembrar que daqui a quatro anos, a Copa é no Brasil e será bem mais emocionante ganharmos em casa. Aí sim, será uma festa histórica e merecida. Então, levanta a cabeça, Brasil, chega de choro e mãos e pernas à obra!!!

E como eu também sou fã da seleção brasileira, começo uma campanha pela volta do Futebol Arte e faço abaixo uma lista dos erros e acerots para o próxima Mundial.

1. Mal Humor não entra: o técnico da seleção tem que ser rígido, mas deve ter jogo de cintura e educação para falar à população, faz parte do pacote;
2. Fora ao jogo sujo: fica cada vez pior assistir aos jogos ultimamente, porque os caras, só porque são fortes, acham que podem bater, agredir, socar, cabecear e pisotear em campo. Chutar: só a bola, ok?;
3. Craque: essa palavra deve ser levada a sério quando se trata de futebol. Ela não é sinônimo de droga, quando falamos de convocação de representantes da nossa Seleção Canarinho.
4.  Xingamento 0: o técnico da seleção deve deixar as richas particulares, apenas para as divididas com a bola e os adversários em campo. Jornalistas podem até ser arrogantes, mas são representantes da nossa sociedade e estão ralando para dar o melhor, portanto, merecem respeito;
5. Holanda:  foi o time que nos eliminou, estamos irados, mas vamos combinar que o país deu um show de Fair Play na Copa, exibindo na camisa de cada jogador, a bandeira do adversário ao lado do símbolo holandês. Simplesmente, muito chique. No fim do jogo, o consolo do jogador "rival" ao Robinho (na foto acima) é uma demonstração de carinho e emoção, o que confirma a miha teoria: futebol não é guerra, é apenas diversão.


VAMOS PREPARAR A TORCIDA COM APITOS, TAMBORES E CORNETAS

BRASIL: 2014

domingo, 9 de maio de 2010

A maternidade atual




O que é ser mãe em tempos modernos? Alguém se arrisca em definir? A mulher atual trabalha,  faz compras, malha, cozinha e ainda vai ao sex shop para agradar o marido... Ufa, ela não ocupa mais o cargo de deusa, mas de heroína! Sim, é certo que os papais modernos também dão uma força e isso faz com que a maternidade fique mais suportável e prazeroza. A parceria do casal é essencial nos dias de hoje, mas tem um monte de mulher que insiste em fazer carreira solo, ter filho sem namorado, marido, companheiro, ou seja um macho do lado! Gente, já pensou isso? Cuidar de um bebê sozinha, ter que amamentar e ainda cuidar da casa, das tarefas domésticas, tudo isso  junto com a dança hormonal do corpo carente? Algumas diriam que estou sendo machista ou antiga. Prefiro achar que sou realista.

O relógio biológico ou sociológico grita no nosso ouvido primeiro aos 28, 30... A mulherada sai correndo atrás de um marido, casa com o primeiro que aparece, como um taxi livre em dia de tempestade. E aí vem a primeira decepção. Depois, mais madura, aos 35 o relógio começa a berrar. E de novo, mulheres que não querem ficar pra tia ficam obsecadas com a ideia de ser mãe. Tudo bem, vamos dar um desconto, a maternidade é mesmo uma das experiências mais lindas que uma pessoa pode experimentar (falo isso apenas constatando o grau de felicidade de otras mães), mas e tudo o que a gente luta e rala no dia-a-dia, também não seria uma gestação? E a fertilização de projetos, a gravidez de ideias, a maternidade de si mesma? Dar vida a outros sonhos também não seria uma experiência maravilhosa?

Há uma controvérsia na vida da mulher do século atual: ser uma grande profissional versus ter uma grande família. Isso mexe demais com a psique feminina porque a natureza não muda mesmo com a mudança do comportamento da sociedade e a mulher nasceu tendo tudo para ser mãe. Algumas optam por não ser, mas as que desejam essa experiência ficam confusas, devem perseguir essa ideia ou deixar a vida acontecer e esperar até encotrar a pessoa certa, o momento mais apropriado ou a conta bancária dos sonhos...

Assisti recentemente a um programa de TV onde mulheres contavam como viveram a aventura da maternindade depois dos quarenta e todas elas foram firmes ao dizer que são melhores mães com essa idade do que seriam com vinte e poucos. Elas realizaram muitas coisas, experimentaram a vida com tamanha intensidade que naquele momento se sentiam plenas de paciência e vontade para se dedicar exclusivamente a um novo ser. Algumas adotaram, outras tiveram que fazer tratamento de fertilidade, mas estavam muito felizes e realizadas. Essa conversa me deixou animada!! Agora, quanto à produção independente, o buraco é mais embaixo. Isso tem suas consequências, criar um filho sem referência paterna é um risco. O mais importante é pensar que essa aventura não é um filme que dura duas horas, é para sempre e portanto, exige mais razão do que emoção.

Afinal, tem criança de montão nesse mundo, mesmo as que possuem uma mãe biológica, mas que carece de afeto, atenção, educação e amor incondicional. Se você é mulher, então pode doar o seu amor para qualquer ser humano, sem precisar sair do seu umbigo!!! Ser mulher é poder ser mãe a qualquer momento, em qualquer ocasião, esse exercício é um excelente treino para quando a real maternidade vier ao nosso encontro.